28 de janeiro de 2015   Publicado por: Garante Araribóia

Síndicos investem em alternativas para economizar água no Rio

Hidrômetros individuais e reaproveitamento das chuvas são sugestões. Lava jatos apostam em lavagem a seco para atrair clientes.

Hidrômetros individuais são a chave da economia de água e de dinheiro para edifício na Zona Norte do Rio (Foto: Divulgação/ Secovi-Rio)

Com a iminência de crise no abastecimento de água no estado, moradores e síndicos de condomínios cariocas buscam soluções para reduzir o consumo. O G1 conversou nesta terça-feira (27) com administradores de edifícios residenciais e estabelecimentos comerciais sobre o uso responsável da água por parte dos condôminos e clientes. Ideias como a medição individualizada de água nos domicílios, auditoria de vazamentos e reutilização de água das chuvas, piscinas e chuveiros – implementadas há alguns anos em edifícios – já geram uma economia que beneficia o bolso dos moradores e favorecem o uso racional de água.

Maria Auxiliadora ganhou prêmio de sustentabilidade por economia de energia e água  (Foto: Divulgação/ Secovi-Rio)

Maria Auxiliadora ganhou prêmio de sustentabilidade por economia de energia e água (Foto: Divulgação/ Secovi-Rio)

Fatias do bolo
Com o cheque de R$10 mil nas mãos, Maria Auxiliadora Patrício, síndica de um edifício no Méier, Zona Norte do Rio, comemora as recompensas de diminuir drasticamente o consumo de água no condomínio onde mora. Ela foi a ganhadora do prêmio Secovi-Rio de Sustentabilidade em 2014, que premia gestores prediais com atitudes “verdes”. No caso dela, a troca das bombas hidráulicas e a modificação da rede de água para instalação de hidrômetros individuais foram fundamentais para conscientizar os moradores dos 144 apartamentos do edifício. Assim, cada um passou a ter noção do tamanho da fatia que consumia do bolo total.

“Estudei o assunto a fundo, recolhi todas as informações técnicas, pesquisei na internet, corri atrás de prestadores de serviços e solicitei orçamentos. Consegui mostrar que a maior vilã do nosso condomínio era a conta de água, que comprometia mais de 50% da arrecadação mensal. Nos períodos mais complicados, chegamos a pagar R$ 35 mil à Cedae”, disse.

A análise ocorreu entre 2005 e 2007, mas a síndica só conseguiu dar início às obras em 2010, depois de convencer todos sobre a possiblidade de economia. Para ela, cada um saber quanto gasta é o pontapé inicial para a mudança.

Essa é uma iniciativa que pode ser adotada aqui na Barra, já que muitos condomínios têm essas estações, mas, infelizmente, quase nenhum síndico aplica”
Domingos Filho, síndico

“Com o hidrômetro único no prédio, a gente dividia a conta por igual, como acontece na maioria dos lugares. Quando a gente mudou de sistema, deu para ver que alguns condôminos eram, sozinhos, responsáveis por boa parte do consumo. Na época, somente um apartamento era responsável por R$700 da conta total”, explicou.

Antes da modificação, segundo ela, a conta total girava em torno de R$23 mil. Em 2012, com o sistema implantado, o valor caiu para uma média de R$15 mil por mês, com recordes de R$14 mil, cerca de 150% menos do que o valor mais alto registrado.

“Agora eu tenho acesso a um relatório que me diz quanto cada um utiliza por mês, o que torna mais fácil de saber quem se conscientizou e mudou de comportamento e quem não”, afirmou ela.

Domingos Filho viu oportunidade em estação de água ociosa na Barra (Foto: André Nascimento / arquivo pessoal)

Domingos Filho viu oportunidade em estação de água ociosa na Barra (Foto: André Nascimento / arquivo pessoal)

Ócio que gera oportunidade
Domingos Filho, síndico de um edifício na Barra da Tijuca, enxergou uma oportunidade na estação de tratamento de água do prédio onde mora, que estava ociosa. No início da expansão da cidade rumo à Zona Oeste, os prédios novos contavam com estações de tratamento de água e esgoto individualizadas. Depois que os canos da Cedae chegaram aos condomínios e o sistema foi unificado e interligado no bairro, boa parte dessas estações foram abandonadas.

No caso do edifício São Felippo, o local é usado para reaproveitar a água das chuvas. “A gente usou a estação desativada para acumular água da chuva que poderia ser utilizada no prédio. Essa é uma iniciativa que pode ser adotada aqui na Barra, já que muitos condomínios têm essas estações, mas, infelizmente, quase nenhum síndico aplica”, lamentou.

Segundo ele, a reutilização serve atualmente para regar as plantas, na descarga dos banheiros das áreas comuns, como salão de festas, churrasqueira e outros. “Nossas áreas comuns são grandes. A gente pagava cerca de R$30 mil na conta de água, hoje pagamos uns R$14 mil, uns 50% a menos”, afirmou.

Consciência ecológica
Além das residências, outros locais que converteram a economia hídrica em oportunidade foram os estabelecimentos de lava jato. Alguns empreendedores investiram na lavagem a seco, que utiliza a cera de carnaúba, uma planta típica do Nordeste do Brasil, para limpar a lataria dos veículos. Marcelo Soares, dono de um lava rápido no estacionamento de um supermercado na Tijuca, Zona Norte, disse que a demanda por esse serviço é crescente.

“Desde 2003, quando abri as portas, tenho clientes que vem aqui pela questão do desperdício, só porque a lavagem a seco economiza água. Cada carro a gente usa uns 200 ml de cera de carnaúba e nenhum pingo de água”, explicou.

Arthur Wiltgem, dono de um lava jato em um shopping na Zona Sul, disse que limpa carros de clientes avulsos e de concessionárias, mas que a lavagem a seco só é feita ainda para o primeiro grupo. Apesar de crescente, o empresário disse que a conscientização é bem tímida no estado.

“Aqui no Rio ainda temos muita gente lavando com muita água, não vejo um crescimento grande de pessoas que optam pela lavagem a seco por questões de sustentabilidade. Não é só economia de água, mas de espaço, porque não é necessário disponibilizar um espaço para água, outro para secagem. As concessionárias também querem adotar a cera daqui pra frente”, explicou.

Fonte: G1

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