31 de março de 2015   Publicado por: Garante Araribóia

Síndicos de olho no hidrômetro

A adoção de medidas de economia d’água é realidade em alguns condomínios desde muito antes da atual escassez dos reservatórios que abastecem as grandes cidades brasileiras, especialmente São Paulo. Além da preocupação com a sustentabilidade, elas foram motivadas pela necessidade de os gestores baixarem os custos e fazer caixa para investir em obras e manutenção.

Nas imagens, em sentido horário, as síndicas Kelly Remonti e Margarete Alvarez, e o gestor predial e síndico profissional Cristóvão Luis Lopes

Para ilustrar o impacto das medidas de economia de água sobre as contas do final do mês, confira no gráfico abaixo a diminuição paulatina dos gastos do Condomínio Top Village nos últimos três anos, conforme levantamento apresentado pela síndica Kelly Remonti. Com três torres e 156 unidades, o empreendimento localizado em Alphaville, na Grande São Paulo, começou o processo em 2011 e viu seu custo médio baixar de R$ 15,4 mil, naquele ano, para R$ 9 mil em 2014 na conta d’água mensal.

“Durante o ano passado atingimos a meta de bônus da Sabesp por cinco meses”, afirma Kelly. “Se compararmos a média de valores pagos em 2013 com a de 2014, economizamos R$ 46 mil. Esta economia foi canalizada para a reforma da quadra poliesportiva e playground.”

Economia de água no Condomínio Top Village

Fonte: Síndica Kelly Remonti

Entre diferentes medidas implantadas no condomínio, Kelly Remonti lembra que na reforma dos vestiários e refeitórios dos funcionários, foram instalados lavatórios com torneiras inteligentes, vasos sanitários para vazões de três e seis litros, bem como mictórios (no banheiro masculino). Paralelamente, depois do acirramento da crise, houve campanhas educativas junto aos moradores.

Poço artesiano
Já a síndica Margarete Zanetti Alvarez conta com o poço artesiano no Condomínio Edifício Ideali. O residencial de 138 unidades, situado na Vila Zelina, zona Leste de São Paulo, tem essa fonte alternativa praticamente desde a entrega do empreendimento, mas houve todo um processo conduzido pelos seus gestores até que estivesse regularizado junto à Sabesp. Um medidor anota a vazão diária e empresa especializada realiza análises periódicas da qualidade da água.

“Felizmente, o poço tem dado conta de suprir a falta de água na cidade. Ele produz entre 7,5 mil e 8 mil litros por hora. Claro que com a falta de chuvas a tendência é também secar, mas acredito que ainda levará um tempinho para que isso aconteça. Porém, estamos de olho na economia, evitando o desperdício de água nas áreas comuns, como lavar garagem, halls etc. As garagens têm sido limpas a cada 2 dias com o auxílio de vassouras; halls e escadas, com panos úmidos. As únicas áreas que estão sendo lavadas são banheiros das áreas comuns e churrasqueira, pelo excesso de gordura.”

Margarete relata ainda que nos elevadores têm sido afixados, com frequência, informativos com orientação aos moradores para a economia de água. E se a crise se agravar, o condomínio deverá adotar medidas de interdição da churrasqueira, do salão de festas e da piscina, prevê a síndica.

Mudança no sistema de incêndio
No Condomínio Ville Belle Époque, residencial de alto padrão localizado no Alto de Pinheiros, em São Paulo, a solução foi mais drástica. Com três torres e áreas de jardim totalizando 2.640 metros, além de ampla piscina, o Belle Époque está concluindo os trabalhos de implantação de um mecanismo que possibilitará utilizar parte da água da chamada cota de incêndio se os limites dos reservatórios baixarem muito.

De acordo com o gestor predial do local, Cristóvão Luis Lopes (também síndico profissional), as alterações foram aprovadas em assembleia extraordinária de condôminos e pelo Corpo de Bombeiros. O novo sistema deverá estar em operação neste mês de fevereiro de 2015. Ele consiste em liberar para o consumo das unidades a água da reserva obrigatória de incêndio, correspondente a um volume que atinge 80 cm das caixas d’água. Em contrapartida, o condomínio instalou um complexo de tubulações e bomba, que funcionará nas situações de sinistro, abastecendo os hidrantes com a água da piscina. O mecanismo será acionado automaticamente, assim que abertos os registros.

Para fazer a obra, foi necessário construir uma casa de bomba independente, pressurizada e protegida contra incêndio. Mas antes de validar o mecanismo, o condomínio aguardará a emissão de um novo AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros). Luis Lopes observa que a liberação dessa porção da água dos reservatórios, antes destinada à reserva de incêndio, corresponderá a um dia e meio de consumo de todas as unidades. O Belle Époque possui ainda sistema de reuso de água do lençol freático (utilizada para jardins e lavagem das áreas comuns), poço artesiano e individualização da leitura por unidade.

Fonte: Direcional Condomínios

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