25 de junho de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Sem descanso

O fato de morar no condomínio não significa que o síndico faz plantão 24 horas. É bom separar trabalho de vida pessoal

Ser síndico de condomínio é uma tarefa que exige tantos conhecimentos que já virou até profissão. Mas apesar da figura do síndico profissional estar se tornando cada vez mais presente nos residenciais, ainda há muitos condomínios em que o síndico é morador. E morar no local de trabalho pode não ser muito agradável, já que fica mais difícil estabelecer um horário de atendimento para os vizinhos.

A gerente predial Katia Mendroni afirma que síndicos que moram no empreendimento ainda são maioria. Segundo ela, cerca de 70% dos prédios são geridos por moradores. E lidar diariamente com tantos problemas responsabilidades sem dispor de um horário e local fixos pode ser uma atividade estressante, e não só no sentido mais vulgar da palavra, mas também no que diz respeito à saúde.

“Evitar o estresse é muito difícil. Varia muito de condomínio para condomínio e de moradores para moradores. Costuma ser mais difícil principalmente no início do condomínio, na fase de implantação, porque os moradores muitas vezes vêm de casas e a pessoa ainda não tem noção de como viver em condomínio”, afirma Katia.

De olho no estresse– Há algum tempo a palavra estresse entrou definitivamente em nosso vocabulário cotidiano. Se sairmos às ruas questionando se as pessoas estão estressadas, boa parte delas vai confirmar. Entretanto, estresse é algo diferente de cansaço.

O estresse é um mecanismo do organismo que surge quando nos sentimos de alguma forma pressionados. Ele faz com que nos adaptemos às situações de grandes mudanças, podendo partir de fatores físicos ou emocionais.

Em entrevista disponível no site do doutor Dráuzio Varella, a médica psiquiatra Alexandrina Meleiro explica que o estresse é uma defesa natural fundamental à sobrevivência, mas se as situações que geram estresse forem recorrentes, podem causar danos ao organismo.

O diagnóstico varia de pessoa para pessoa, mas entre os principais indicadores de estresse são dor de cabeça, agitação, cansaço, tristeza, irritabilidade e insônia, apenas para citar alguns. E em caso de desconfiança, o melhor a se fazer é buscar ajuda profissional.

Horário comercial – Imagine se seu cliente batesse à sua porta a qualquer hora do dia – ou da noite – para solucionar problemas. Esse é um risco presente na vida de muitos síndicos. Se o representante do condomínio mora no prédio, os moradores acabam extrapolando os limites.

Na opinião de Katia, não misturar trabalho com a vida profissional é fundamental, e estabelecer horários para atendimento é uma forma de deixar claro para os condôminos que, apesar de síndico, ele também tem vida pessoal.

“Ele deve estabelecer horários, porque senão ele acaba não tendo vida própria. Ele é síndico, mas também é um morador do condomínio”, defende.

Sem crise – Após ser síndica por 14 anos, Nilzarete Maria de Souza ocupa hoje o cargo de subsíndica do Edifício Solar dos Flamboyants, em São Paulo. Mas mesmo tendo ficado tantos anos no comando do residencial, ela não enxerga a função de síndica como algo estressante.

“Quando vim pra cá eu me envolvi com as pessoas que administravam o condomínio e aí gostei. Até hoje eu gosto. Acabei me envolvendo com a atividade; até porque como eu não trabalhava para fora eu tinha o dia todo”, conta.

Nilzarete diz que, como em todo condomínio, os problemas também apareceram durante a sua gestão, mas não foram motivos de grandes dores de cabeça. Ela relata um dos piores episódios.

“Uma vez levei a leilão um apartamento, por conta da inadimplência, e coloquei no quadro de avisos que a unidade estava em leilão. E mesmo já tendo sido publicado no Diário Oficial e em três jornais de grande circulação, a moradora quis voar em cima de mim.”

Para a ex-síndica, a melhor forma de evitar o estresse é se dedicar a uma atividade da qual se goste.

“É muito bom trabalhar no que se gosta, porque não se torna trabalho. Adorei mexer com condomínios, amo de paixão o lugar onde eu moro. Hoje sou subsíndica e, no ano que vem, quero ser só do conselho. Agora vou descendo de cargo, até sair de vez”, brinca.

Fonte: iCondominial

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