8 de agosto de 2014   Publicado por: Garante Araribóia

Segurança nos condomínios: o perigo sempre à espreita

As cenas dos arrastões nos condomínios diminuíram no noticiário de 2014, mas cederam espaço a golpes dados contra as portarias, visando a apartamentos que acumulam valores. Especialistas insistem que se invista em melhorias nos equipamentos, procedimentos e em treinamento.

No dia 22 de maio passado, no meio da tarde, uma pessoa simulou tratar-se de um morador e ligou para a portaria de um prédio localizado na Vila Mariana, em São Paulo (ela passou corretamente os dados). Deixou dois nomes ao porteiro, alegando que seriam seus sobrinhos e que poderiam entrar no edifício. Foi a deixa para que dois ladrões tivessem o acesso liberado ao condomínio e roubassem algumas unidades. Segundo os especialistas em segurança José Elias de Godoy, Oficial da PM, e Luís Renato Mendonça Davini, delegado do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil, essa é a principal estratégia que os infratores estão utilizando neste ano contra os condomínios: saem de cena os arrastões e entram os chamados golpes pontuais.

“Mudou o modus operandi dos bandidos. Eles têm invadido os prédios através de falhas de procedimentos de portaria, enganando ou ludibriando os funcionários”, observa José Elias. “Normalmente, eles têm informações detalhadas sobre a vítima e até sua rotina, se está ou não no apartamento, os objetos de valores que possui etc.” Uma situação especial atinge os estrangeiros, especialmente orientais, que costumam guardar valores em suas unidades e “acabam sendo as maiores vítimas desses assaltos”, completa José Elias.

Luís Renato destaca, por sua vez, que “os bandidos agem cada vez mais com precisão e utilizando informações privilegiadas”. Ele cita o caso de uma empregada doméstica que, ao ver um cofre de parede fechado no apartamento em que trabalhava, passou a informação ao amante, que invadiu o imóvel, mas encontrou no local apenas documentos. E não há outro jeito de os condomínios diminuírem os riscos sem investir de maneira constante no tripé segurança, procedimentos e treinamento de funcionários, comentam os especialistas. Tudo precisa ser atualizado, desde as regras de acesso de pedestres e veículos, à posição das câmeras de CFTV e gravação de imagens, entre outros.

FECHANDO O CERCO

A síndica Lurdes Affonso, que exerce a função há mais de 20 anos no Condomínio Vila de Vitória, na Vila Mariana, concorda. Ela lembra que ao comprar seu apartamento ainda na planta, no prédio da região do Metrô Santa Cruz, havia o mote publicitário de que condomínio era sinônimo de segurança. Na época, Lurdes morava em uma casa. Mas, hoje, ela reconhece que sem os investimentos torna-se impraticável garantir tanta tranquilidade. Lurdes acha que existe certa “fobia social” mediante o tema, mas acredita que o perigo seja “iminente”.

As mudanças em seu prédio foram paulatinas. Os investimentos na área se acentuaram nos últimos dez anos, na tentativa de se “inibir a ação de pessoas alheias ao condomínio”. Entregue em 1989, o prédio tinha apenas uma câmera que anotava a movimentação do acesso de pedestres e das garagens, espaços que acabaram de ganhar eclusas. Existem agora 13 câmeras, número que deverá ser ampliado. Para entrada na garagem, foi implantado sistema que identifica ao porteiro a placa do veículo, a unidade e o nome do proprietário. Entre os investimentos futuros, Lurdes prevê a blindagem da guarita.

Também há regras para os moradores, que recebem orientação contínua: eles somente devem abrir a porta depois de receberem a comunicação da portaria. Caso ouçam o toque da campainha de sua unidade sem que tenham sido notificados pelo porteiro, deverão fazer uma checagem antes de atenderem o visitante. O condômino recebe, via canal de tevê aberta, imagens das câmeras do CFTV. Também os funcionários são treinados. “A segurança tem que ser feita pela administração, pelos funcionários e, principalmente, por cada um dos moradores. Eles são coparticipantes da manutenção do sistema”, ressalta a síndica. Lurdes mora em uma área da Vila Mariana onde ainda não foi implantado o Programa Vizinhança Solidária, da Polícia Militar.

Fonte: Direcional Condomínios

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