19 de outubro de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Segundo síndicos, 30% das queixas de barulho são imaginárias

“Escuta! Está ouvindo?”, insistia a moradora de um condomínio de Moema, zona sul paulistana. Mas só havia o silêncio. Das 2h às 4h, o síndico profissional Aldo Busuletti, 49 anos, ficou sentado no sofá do apartamento da moradora, à espera dos barulhos que, segundo ela, o vizinho de cima fazia. Não ouviu nada. Aldo havia advertido e multado o morador de cima (R$ 380), atendendo às reclamações da vizinha. Como não funcionou, decidiu testemunhar os ruídos. “Tive que pedir desculpas ao morador de cima, retirar sua multa e converter em advertência para a moradora que sempre reclamava.” Assim como ele, outros síndicos e administradoras responsáveis por 1,5 mil dos cerca de 20 mil condomínios na capital paulista ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo estimam que até um terço das reclamações de barulho – campeãs em todos os condomínios – sejam fruto da imaginação.

“Acho que a pessoa trabalha o dia inteiro na rua, ouve tanta buzina e agito, que à noite sonha com barulho”, analisa Aldo, que gerencia 37 condomínios da cidade e atua como síndico profissional há 20 anos. O psiquiatra Elko Perissinotti, do Hospital das Clínicas da USP, atribui os “ruídos fantasmagóricos” a “estresse, angústia, depressão e frustrações”. Os barulhos “imaginários” mais comumente ouvidos são o arrastar de móveis ou saltos de sapato batendo no chão, madrugada adentro. Há vizinhos que chegam a chamar a polícia e brigar. Mas segundo Márcia Romão, gerente de relacionamento da Lello Condomínios, não é incomum que o “reclamão” acabe, ele próprio, multado por perturbação do sossego.

Fonte: Terra

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