15 de setembro de 2014   Publicado por: Garante Araribóia

Retrofit dá nova vida e uso a imóveis antigos

Técnica arquitetônica atualiza os empreendimentos às necessidades atuais sem perder as características do edifício.

Fotos: Henry Milléo/ Gazeta do Povo / O prédio da Sociedade dos Operários do Batel foi retrofitado para receber o espaço Nex Coworking
Proporcionar outro uso e dar uma nova “cara” a edifícios antigos. Assim pode ser definido o retrofit, técnica arquitetônica de revitalização de espaços que representa cerca de 30% das intervenções em edifícios já existentes em Curitiba, segundo estimativa do arquiteto Orlando Ribeiro, professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

A técnica ganha destaque principalmente nos imóveis localizados na região central, onde a alta taxa de ocupação estimula novas utilizações dos edifícios já construídos. Dessa forma, eles têm sua vida útil ampliada por meio da inserção de tecnologias, sistemas modernos e materiais que valorizam as características do imóvel, tornando-as compatíveis aos usos e restrições urbanos atuais.

Diferentemente da reforma – intervenção que pode alterar significativamente a edificação existente –, e da restauração – que recupera ao máximo possível as características originais –, o retrofit busca manter as estruturas originais do imóvel alterando os demais elementos. É, portanto, uma alternativa intermediária entre as anteriores. “Trata-se de uma estratégia de intervenção para qualquer tipo de empreendimento. Você pode pegar um barracão industrial e transformá-lo em uma pista de skate coberta, por exemplo. Não importa a vocação que vai dar para o empreendimento, desde que o revitalize”, explica Ribeiro.

Milena Schulmeister, arquiteta da Fibonacci Construções Civis, lembra que qualquer melhoria aplicada ao imóvel que preserve suas características, como a troca das janelas de um edifício mantendo padrões de formato e cor, já pode ser considerada retrofit.

Necessidades modernas

A adaptação dos espaços para novos usos, como o corporativo – que demanda maior desempenho elétrico e hidráulico –, é um dos principais motivadores dos investimentos em obras de retrofit.

Além da manutenção dos espaços, a necessidade de atualização dos imóveis às legislações atuais referentes à acessibilidade, segurança e às normas de desempenho térmico, acústico e energético também entram na lista dos fatores que estimulam a opção pela técnica, inclusive em prédios residenciais. “Antigamente a legislação não era tão rigorosa e, hoje, as necessidades são outras, como internet, tevê a cabo. O retrofit permite a adaptação dos ambientes para responder a esta demanda”, diz Milena, que assina dois projetos de retrofit com este perfil.

A arquiteta ressalta, entretanto, que o projeto e a obra devem ser gerenciados por um profissional habilitado – arquiteto ou engenheiro  – que tem o conhecimento técnico necessário para avaliar se o imóvel é candidato ao retrofit ou não, além de executar as alterações da forma adequada e de acordo com a legislação vigente.

Retrofit pensado para valorizar a convivência

A nova sede da Nex Cowor­­king e Inovação é um representativo exemplo de como o retrofit pode renovar um imóvel antigo e dar a ele um ar de modernidade, sem deixar de lado o charme que as décadas passadas imprimiram sobre a construção.

Instalada na antiga sede da Sociedade dos Operários do Batel, a empresa encontrou nos vãos livres do prédio o ambiente que procurava para expandir o negócio, que tem um perfil colaborativo. “Os vãos são importantes para o modelo que propomos. Visitamos outros prédios, alguns até mais novos, mas, quando entramos aqui, percebemos que este era o local. A escolha deste prédio trouxe, inclusive, um novo padrão para o negócio”, conta André Pegorer, sócio-fundador do Nex.

A obra de retrofit para adaptar o prédio às necessidades do negócio durou cerca de seis meses, entre a concepção do projeto e o início das operações da empresa. As arquitetas Francis Bergmann Bley e Adriana von Bahten, responsáveis pelo projeto e acompanhamento da obra, contam que procuraram trabalhar de forma com que o retrofit fizesse sentido em relação ao uso anterior. “Na antiga pista de dança estão algumas das estações de trabalho, onde as pessoas continuam se encontrando”, diz Adriana. O palco, por sua vez, foi transformado no auditório.

Outras estruturas precisaram ser aprimoradas para comportar o fluxo de pessoas no prédio. Os sanitários passaram de um para oito, enquanto a rede elétrica recebeu reforços para comportar os aparelhos modernos. Também foi criado um acesso lateral para portadores de necessidades especiais e está em processo de instalação um elevador para deslocamento entre os pavimentos, antes feito unicamente pelas escadas. As obras referentes à restauração do prédio, como a conservação da fachada, foram executadas pelo proprietário do imóvel.

Intervenções

Diferenças importantes separam a reforma e o restauro do retrofit

Reforma: realizada com o objetivo de promover melhorias no imóvel, não exige a preservação das estruturas originais. As características estéticas e formais das edificações podem ser alteradas completamente.

Restauração: Técnica que busca recuperar e/ou preservar uma edificação, mantendo ao máximo suas características originais. Regida por regras rígidas, deve ser executada por profissionais com capacitação específica em restauro.

Retrofit: ação de revitalizar e atualizar edifícios antigos por meio da incorporação de tecnologias e materiais modernos, mas mantendo suas estruturas originais. Aumenta a vida útil do imóvel e, geralmente, lhe dá novo uso.

Exemplares

O termo retrofit ainda nem era amplamente conhecido quando alguns dos principais pontos turísticos e comerciais de Curitiba receberam intervenções para adaptá-los a novos usos. Confira alguns deles:

Retrofit


Shopping Mueller: Inaugurado em 1983, o Shopping Mueller é primeiro e um dos principais centros de compras da capital. Antes de abrir as portas aos clientes, o prédio onde funciona o empreendimento abrigava por décadas uma metalúrgica, conhecida como “fábrica dos irmãos Mueller”.


Teatro Paiol: Antigo paiol de pólvora, o Teatro Paiol passou por uma revitalização assinada pelo arquiteto Abrão Assad para receber as instalações que o transformaram em espaço cultural. Antes da inauguração oficial, em 29 de março de 1972, o espaço ainda foi sede de uma diretoria de pavimentação de ruas e serviu de abrigo para arquivos municipais.


Shopping Curitiba: Outro centro de compras instalado em uma sede histórica é o Shopping Curitiba. Localizado em frente à Praça Oswaldo Cruz e inaugurado em setembro de 1996, o prédio era um antigo imóvel militar, construído no século XIX.


Fundação Cultural de Curitiba: A sede da Fundação Cultural de Curitiba também está instalada em um imóvel antigo que foi adaptado para receber a sede administrativa da fundação, em 2006. Localizado no bairro Rebouças, o imponente prédio de cor amarelada erguido na década de 1930 era sede do Moinho Rebouças, que produzia a farinha de trigo Soberana.

Fonte: Gazeta do Povo

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