14 de maio de 2015   Publicado por: Garante Araribóia

Preços dos imóveis desacelera e fica abaixo da inflação em Curitiba

Desaceleração dos preços também foi impactada pela redução da oferta, que caiu 48% no primeiro trimestre. | Daniel Castellano / AGP

Desaceleração dos preços também foi impactada pela redução da oferta, que caiu 48% no primeiro trimestre.

Após seguidos anos de alta, o mercado imobiliário de Curitiba começou o ano em marcha lenta. A conclusão parte dos resultados modestos alcançados pelo segmento no primeiro trimestre de 2015, caracterizados pela retração na oferta e desaceleração dos preços, embaladas pelo desaquecimento da economia.

Entre janeiro e março, o reajuste médio acumulado pelos apartamentos novos na capital foi de 0,8% – número 3,03 pontos porcentuais abaixo da inflação de 3,83% registrada no período, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Os dados são da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR).

A forte alta da inflação e o momento econômico difícil contribuíram para a desaceleração do preço, na opinião dos especialistas. “O desaquecimento da economia, somado às várias medidas que dificultaram o financiamento imobiliário, fez com que algumas empresas adotassem a estratégia de praticamente congelar seus preços, não repassando o INCC [Índice Nacional de Custo da Construção] todos os meses para a tabela e reduzindo suas margens, conta Fábio Tadeu Araújo, diretor de pesquisa de mercado da Ademi-PR.

As campanhas de vendas realizadas pelas construtoras no período e a retração na oferta de novas unidades também ajudaram a frear o reajuste. “O que eleva o valor do metro quadrado são os lançamentos. Como eles foram poucos, e sem a presença de um grande empreendimento neste começo de ano, é natural que os preços sofram poucas alterações”, explica o gerente regional da PDG em Curitiba, Felipe Sebben.

O reajuste mais elevado do trimestre – 1,2% – foi registrado pelos apartamentos de dois dormitórios, comercializados a R$ 5,7 mil o metro quadrado privativo em março. A justificativa está na redução dos lançamentos desta tipologia com perfil econômico, que recuaram de 1,2 mil para 24 unidades no primeiro trimestre de 2015 contra o mesmo período de 2014 . Com isso, explica Araújo, houve maior participação dos imóveis de padrão standard e médio nas vendas, elevando o preço médio do metro quadrado desta tipologia.

O cenário é de apreensão e cautela e demanda paciência para a tomada de decisão. Na opinião de Sebben, é preciso esperar esta “grande turbulência passar” para, aos poucos, retomar os lançamentos. “Eles devem retornar com mais forças no segundo semestre. Acreditamos que a partir de 2016 o mercado vai viver um momento, mais saudável”, avalia.

A Ademi-PR projeta uma valorização entre 5% e 7% para os imóveis em 2015, número que deve ficar levemente abaixo da inflação do ano e próximo dos 7,1% alcançados pelo setor em 2014.

Oferta recuou 48% no primeiro trimestre de 2015

Junto com a desaceleração dos preços, o mercado imobiliário da capital viu cair a oferta de novas unidades nos primeiros três meses de 2015. Entre janeiro e março, 892 apartamentos novos foram apresentados ao mercado, 48,1% menos do que no mesmo período de 2014. O número de novos empreendimentos, por sua vez, aumentou de 15 para 17 lançamentos no período.

Segundo a Ademi-PR, os dados refletem a mudança no perfil dos empreendimentos lançados, que trouxeram menos unidades destinadas ao público com maior poder aquisitivo, por exemplo. Em 2014, 68,5% dos empreendimentos lançados no primeiro trimestre era do segmento econômico, com valores entre R$ 170 mil e R$ 250 mil. Neste ano, o incremento na oferta concentrou-se nos empreendimentos de padrões standard, médio e alto – com preços entre R$ 250 mil e R$ 1 milhão – que representavam, em março, 63,1% dos lançamentos.

Acompanhando os lançamentos, as vendas realizadas entre os meses de janeiro e março também foram mais expressivas nos segmentos de padrões médio e de luxo, que responderam por 131 dos 153 negócios fechados. Para Fernando Fabian, diretor da Plaenge, isso ocorre porque o segmento de alto padrão é menos sensível à disponibilidade de recursos para o financiamento imobiliário, como acontece com o perfil econômico, além de ter uma curva de lançamentos mais equilibrada, que ajuda a manter a demanda.

Fonte: Gazeta do Povo

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