11 de outubro de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Norma deixa obra mais segura (e cara)

Exigências para a durabilidade de materiais devem aumentar custo das construções. Consumidor será o responsável por fiscalizar a qualidade da obra.

Novas exigências técnicas devem encarecer insumos da contrução

Os custos das novas construções devem aumentar entre 15% e 20% a partir de março de 2013, quando entra em vigor a normativa brasileira (NBR) de desempenho nº 15.575. O principal objetivo é aprimorar a qualidade e vida útil das edificações, mas, segundo especialistas, o efeito coleteral deve ser o encarecimento dos insumos.

A norma não é descritiva e, portanto, não traz especificações técnicas para cada material usado. No entanto, ela aponta critérios para a durabilidade e isolamento acústico e térmico que cada ambiente deve proporcionar.

“As casas devem receber no máximo 45 decibéis de ruído externo para atender o conforto acústico. Para isso, a parede, a esquadria, a janela, a porta, tudo deve estar dentro de um processo que evite a passagem de som que não ultrapasse esse limite”, explica o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e conselheiro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Paraná (Crea-PR), Euclésio Finatti.

Para ele, esse aumento na qualidade vai resultar em um aumento do valor da obra. “O custo da obra vai cresce e se colocar as exigências da norma nas obras voltadas a famílias com renda mais baixa, vai surgir o problema de quem vai comprar ou quem vai dar subsídio para construir. Atualmente, uma casa entregue a uma família retirada de uma zona de risco não recebe necessariamente a torneira dentro das normas previstas pela NBR. Da torneira sai água direitinho, mas é mais simples, de plástico. Na norma, a torneira tem de estar dentro dos parâmetros para a torneira de plástico”, exemplifica Finatti.

Autoajuste

Para a assessora técnica da Câmara Brasileira de Indústria da Construção Ci­­vil (CBIC) e participante do desenvolvimento da norma, Geórgia Grace, o mercado irá se adequar com o tempo. “Uma vez que a indústria se prepare e gere escala, a tendência é que o mercado se acomode e gere preços mais competitivos”, aponta.

Segundo ela, a NBR 15.575 divide a responsabilidade de fiscalização entre os fabricantes, projetistas, construtores e o consumidor final.

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Qualidade requer cuidado

A partir de março de 2013 o comprador poderá exigir a qualidade dos novos empreendimentos baseado na Norma de Desempenho 15.575. Confira abaixo algumas mudanças previstas para a construção civil no país:

Manutenção das edificações

ANTES DA NORMA

Cada um é responsável pela manutenção da edificação, mas não há regulação. A “vida útil” do prédio é determinada por datas, por exemplo, a estrutura tem vida útil de 50 anos.

COM A NORMA

As construtoras ou engenheiros responsáveis pela obra devem entregar ao comprador um manual que consta todos os cuidados necessários para manter a “vida útil” e a qualidade do produto entregue. Cabe então ao comprador a responsabilidade de cuidar e exigir a qualidade para ter direito a garantia.

Paredes, janelas, portas

ANTES DA NORMA

Paredes, janelas e portas feitas com qualquer material e sem regulação sobre os ruídos que transpassem ou a manutenção da temperatura do espaço.

COM A NORMA

Paredes, janelas ou portas feitas com qualquer de material, mas que atendam aos requisitos de desempenho acústico e térmico. A parede, por exemplo, não pode deixar que a temperatura da residência suba ou diminua muito, e a janela não pode deixar que se ouça o barulho do vizinho ou da rua.

Pisos

ANTES DA NORMA

Qualquer piso pode ser posto na área externa, ou em espaços com contato com a água. Ainda assim, os cuidados com a segurança são atendidos na maior parte dos casos.

COM A NORMA

A norma exigirá que as áreas sujeitas ao contato com a água (box de banheiro, área de serviço, pisos externos) recebam materiais com coeficiente de atrito maior, diminuindo as chances de qualquer pessoa escorregar. Se as novas construções não tiverem materiais com esta segurança, o comprador poderá reclamar com o construtor e exigir que o produto seja modificado.

Qualidade

ABNT prevê “manual do usuário” para novos imóveis

A norma técnica da ABNT prevê a criação de um manual com explicações para conservação e uso adequado de imóveis novos. A publicação deverá entregue aos proprietários com orientações de forma a garantir a qualidade da edificação.

“Será como ocorre com os automóveis, em que o proprietário recebe um guia que prevê as normas e condições de uso e das revisões periódicas”, compara Fábio Villas Boas da ABNT.

O manual busca dar elementos para que o consumidor possa cobrar e exigir do executor que ele faça toda a obra dentro da norma de desempenho.

Fonte: Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR) e Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

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