20 de janeiro de 2014   Publicado por: Garante Araribóia

Moradores fazem prevenção ao mosquito, mas reclamam da falta de conscientização de vizinhos e de iniciativas do poder público

Em 2013, mais de 7.939 casos da doença foram registrados na região da Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Vargens

A área que abrange Barra da Tijuca, Jacarepaguá, Recreio e Vargens é a segunda em número de casos de dengue na cidade do Rio, de acordo com os dados de 2013 da Secretaria municipal de Saúde. Foram 7.939 registros confirmados da doença na região. Taquara, Recreio e Praça Seca, nesta ordem, são os locais onde há maior incidência da doença.

A Área de Planejamento 4 (AP4), que engloba a região, é a que apresenta a maior incidência de lixo (33,72%) de toda a cidade e o maior índice de acúmulo de água em plantas e carcaças de animais (6,4%), bem como a maior taxa de pneus e outros materiais rodantes como câmaras de ar e manchões descartados irregularmente (12,21%). Os dados, que ajudam a explicar o panorama da dengue na região, são do último Levantamento Rápido do Índice de Infestação do Aedes aegypti (Lira), de outubro de 2013, e indicam pontos potenciais para criadouros do mosquito transmissor da doença.

De acordo com a SMS, as ações de prevenção da dengue são permanentes, com inspeções de agentes de saúde, mutirões, ações educativas e vistorias regulares em locais estratégicos, como terrenos baldios, cemitérios e ferros-velhos.

Para o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria de Estado de Saúde, Alexandre Chieppe, o início do verão é a época ideal para eliminar possíveis focos de dengue.

— Após as chuvas de março, a temperatura baixa um pouco, e o mosquito se reproduz mais — explica.

Thamires Galvão e Pablo Oliveira, moradores da Taquara, já tiveram a doença. Temendo que o filho de dois meses também seja picado pelo Aedes aegypti, Oliveira instalou repelentes de tomada em todos os cômodos da casa.

— Quando eu tive dengue, parecia estar morrendo. Tinha febre, meus olhos lacrimejavam. Agora, temo pelo bebê — diz ele. — O problema é que não adianta só eu me prevenir. Aqui perto, tem casas com água acumulada nas lajes.

Vizinha do casal, a dona de casa Eloísa Helena Oliveira diz que os agentes vistoriam a região, mas nem sempre têm acesso às residências.

— Eles vêm na hora em que todo mundo está trabalhando — reclama.

Zelo em casa, risco no vizinho

Conviver com o foco do mosquito da dengue do lado de casa e ver vários vizinhos doentes fez com que Luís Cláudio Teles, síndico do condomínio Lorena, no Recreio, mobilizasse síndicos de outros residenciais a contratar o serviço de fumacê, dedetização nas áreas externas com aplicação de inseticida. Segundo Teles, a prevenção é feita durante todo o ano: os pratos das plantas foram eliminados, o fosso do elevador e a sauna são vistoriados e os moradores, orientados.

— O problema é a quantidade de lotes abandonados. São três só aqui na rua, além da área de servidão, ligação das avenidas Genaro de Carvalho e Américas, e onde a prefeitura só faz a capina duas vezes no ano. O poder público tinha que realizar a pulverização e a capina.

Maria Helena Xavier é zeladora de um dos condomínios que recebem o fumacê, três vezes por semana. Ela teve dengue hemorrágica no ano passado e, a partir disso, mudou seus hábitos:

— A gente tem o cuidado de não molhar muito as plantas, checar os ralos, usar repelente e calça comprida, mas, se o vizinho não cuida do mesmo jeito, não adianta nada.

De acordo com a Secretaria municipal de Saúde, o uso dos fumacês ocorre apenas em casos extremos onde a infestação do mosquito seja crítica, já que o veneno pode prejudicar o meio ambiente. Segundo o subsecretário de Vigilância e Saúde, Daniel Soranz, o mais importante é a eliminação do foco do mosquito:

— Na região da Barra, 86% das pessoas que tiveram dengue em 2013 tinham o foco do mosquito em casa, por isso, é importante atender o agente e sempre checar onde pode ser um criadouro.

Fonte: O Globo

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