23 de setembro de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Medidores individuais de consumo reduzem desperdício de água

Hidrômetros, obrigatórios em novas construções imobiliárias no Rio de Janeiro e em São Paulo, incentivam o uso racional de água em condomínios

O Rio de Janeiro é a cidade que mais consome e desperdiça água no país segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). Além dos vazamentos da CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) e dos desvios irregulares de água, o uso irracional de recursos hídricos contribui para manter a cidade no topo dessa lista. Em 2011, a instalação de medidores individuais do consumo de água se tornou obrigatória nos novos empreendimentos imobiliários do Rio. A medida, também aprovada em São Paulo em 2005, foi pensada como uma estratégia para incentivar o uso racional de água.

Os medidores individuais, chamados de hidrômetros, registram, no caso de condomínios, o consumo relativo de cada apartamento. A ação permite que a conta de água seja dividida proporcionalmente ao consumo de cada família, fazendo com que os gastos, antes igualmente compartilhados, sejam redimensionados. Para o economista e ambientalista Sergio Besserman, a instalação dos hidrômetros é imprescindível para que se tenha noção exata do custo provocado pelo próprio consumo. “Cada família é dona do seu próprio orçamento. É fundamental que ela tenha o controle do que consome”, afirma.

Hidrômetros instalados em condomínio da Barra

Obrigatória apenas para os novos empreendimentos, a instalação de hidrômetros individuais em condomínios antigos fica a critério de sua administração. Apesar das dificuldades técnicas e do alto custo de instalação, os benefícios gerados pelo controle de gastos com os medidores podem compensar economicamente. Como aconteceu em um condomínio na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, pioneiro na instalação dos hidrômetros individuais na cidade.

“Muitas pessoas achavam que não teria resultado. Tive que ir de casa em casa para mostrar a validade desse processo e como iríamos reduzir o custo e o consumo de água”, explica o atual síndico do condomínio e entusiasta da ideia, Paulo Roberto. Além do desafio inicial de convencer os condôminos de que a instalação seria benéfica, Paulo teve que enfrentar os percalços de uma obra complexa. “A obra de instalação foi penosa. Além de bem longa, exigiu uma boa administração. Mas, no fim, valeu o custo benefício”, declara. O processo de instalação dos medidores custou ao condomínio R$ 350 mil.

Os hidrômetros possuem um corpo eletrônico que faz por telemedição o cálculo individualizado do consumo. A empresa que instalou os medidores fica responsável por fazer a leitura dos dados e enviar ao condomínio a porcentagem de consumo de cada apartamento. Cabe à administração dividir a conta única da Cedae proporcionalmente. Paulo Roberto conta que o condomínio tem que pagar R$ 540 por mês à empresa que instalou os hidrômetros pelo custo da leitura e que, ainda assim, a economia no final do mês é expressiva.

“A vantagem foi grande. Reduzimos cerca de 60% o consumo”, afirma. Antes dos hidrômetros o condomínio gastava em torno de R$ 33 mil ao mês. Hoje, nos períodos de maior gasto de água, como no verão, o gasto gira em torno de R$ 13 mil. “Quando instalamos os hidrômetros demos cinco meses de adaptação para as pessoas notarem que estavam pagando mais caro e se reeducarem. A maioria reduziu muito o consumo”, afirma.

Agostinho Teixeira, morador deste condomínio há dez anos, sentiu logo nos primeiros meses os benefícios da instalação dos hidrômetros. Antes dos medidores, o advogado, que divide o apartamento apenas com sua mulher, pagava cerca de R$ 110 por mês pela conta de água, o mesmo que todos os outros condôminos. Com a instalação e a cobrança equivalente ao consumo, sua despesa foi reduzida para R$ 34.

Mesmo pagando menos, Agostinho afirma que a instalação de hidrômetros fez com que ele mudasse seus hábitos de consumo. “Embora seja irracional, como eu sabia que consumia muito menos do que famílias de quatro pessoas e pagava a mesma coisa, gastava mais água. Fazia a barba de torneira aberta, por exemplo. Agora que pago o que consumo não desperdiço mais água”, diz.

Fonte: Globo Ecologia

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