26 de março de 2014   Publicado por: Garante Araribóia

Mais carros do que vagas

Mais carros do que vagas

O aumento do número de carros, realidade nacional incentivada pelas facilidades de aquisição com financiamentos a longos prazos, tornou as garagens dos condomínios pequenas para tantos veículos. Em Florianópolis, esse problema se agrava: a capital tem um carro para cada dois habitantes, segundo dados do Instituto de Planejamento Urbano de Florianópolis (IPUF).

Atualmente é comum as construtoras projetarem duas vagas de garagem por unidade residencial. Entretanto, a maioria dos condomínios erguidos entre as décadas de 80 e 90 contam com menos vagas do que apartamentos. É o caso do condomínio Itaipu, no Kobrassol, construído em 1984, com 24 unidades e somente 12 vagas de garagem.

Para resolver o problema, o síndico Etelvino Werlich conta que o condomínio conseguiu aprovar em assembleia a disponibilização de um espaço da área comum para viabilizar dez vagas no estacionamento rotativo. “A cada dois meses, se houver concorrente interessado, fazemos sorteios das vagas”, diz. E mesmo assim o espaço para os carros é insuficiente. Outra solução para o condomínio foi um acordo com o comércio vizinho, que cedeu os estacionamentos aos moradores no período noturno.

“Os veículos que utilizam essas vagas são protegidos com correntes. Pela manhã, o estacionamento tem que ser liberado para os lojistas”, salienta. Além disso, há condôminos que não têm carro e preferem alugar a sua vaga para outro morador do Itaipu. “Dessa forma conseguimos conciliar os interesses de cada um sem problemas”, conclui Werlich.

O condomínio Larus, em Canasvieiras, foi construído em 1996 e possui 38 apartamentos com 22 vagas de garagem rotativas. Nesse caso, a principal dificuldade, segundo o síndico Giovane Brasil, ocorre no verão. “As nossas vagas já são poucas e nessa época o condomínio lota”.

Dessa forma, a regra no Larus é: quem chega primeiro tem direito à vaga na garagem. Quem chega depois precisa estacionar na rua. Para evitar transtornos, cada veículo recebe um crachá de identificação para estacionar. “O nosso zelador é incumbido de fazer o controle dos carros e orientar os moradores. Quando é turista, nós entregamos uma mini convenção com as informações essenciais, tais como regras para uso da garagem”, observa.

Conflitos

Até mesmo nos condomínios em que há pelo menos uma vaga por apartamento podem ocorrer conflitos. Há proprietários, por exemplo, que tentam colocar dois carros em uma mesma vaga ou colocar um automóvel e uma moto ultrapassando o limite da vaga, adentrando a área comum.

“Se os dois carros couberem na vaga, pela lei, pode estacionar desde que a assembleia permita. O problema é ficar um pouco fora da sua área e atrapalhar a circulação dos outros carros e das pessoas. Para controlar incidências de abusos, o recomendado é aplicar advertência e multas”, orienta o advogado Alberto Calgaro.


Soluções para minimizar a falta de espaço

A falta de vagas de garagem tornou-se um problema social. A doutora em engenharia de transporte e professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Lenise Grando Goldner, diz que a falta de área para deixar os carros em condomínios faz com que os moradores estacionem nas calçadas e vias públicas, atrapalhando o tráfego de carros. “Nos condomínios novos, as construtoras já projetam de duas a três vagas por apartamento. O problema está nos antigos, que não têm espaço suficiente”, explica.

Lenise aponta que em países desenvolvidos, além de existir o investimento governamental para incentivar o uso do transporte público a fim de conter o crescimento do número de carros, é comum a construção de garagens subterrâneas embaixo de praças e vias com vagas para locação. “A medida minimiza o problema”, conclui a engenheira.

O professor universitário e perito judicial, engenheiro civil Fernando Ribeiro, acrescenta que há soluções eficientes para ampliar as garagens, porém mais onerosas, como duplicadores de garagens, construção de subsolos e piso intermediários. “São incrementos que geram custos e precisam de uma análise rigorosa de cunho estrutural, mecânica de solos e uma viabilidade técnica abrangente. Uma apreciação em curto prazo seria uma nova divisão das vagas, com um planejamento de espaços ou utilização de manobrista”, explica.

Manutenção periódica

A estrutura das garagens precisa de manutenção, principalmente contra mofo e infiltrações. Segundo o arquiteto especialista em patologia da construção Armando Felipe da Silva, a lavação constante do piso é um dos principais causadores de infiltração na base dos pilares, que formam bolhas de ar descascando a tinta. A umidade pode penetrar no reboco e, se as camadas de proteção das armaduras forem finas, pode iniciar um processo de corrosão.

Varrer e passar pano na limpeza diária é o ideal, mas pelo menos uma vez por ano é importante lavar toda a garagem, “teto e paredes com jato de água e uma solução com água sanitária para retirar fungos e mofo, que são causados pela falta de circulação de ar”, explica Silva.

Outro problema comum em garagens são os alagamentos. Em épocas de chuvas intensas o sistema pluvial pode ficar obstruído e as bombas d’água instaladas não darem conta da vazão. “É importante ter um sistema com boia de alarme, que, ao ultrapassar o nível estipulado, dispara. Também é bom ter uma bomba reserva mecânica à gasolina para acionar quando as outras não dão conta”, recomenda o arquiteto.

Acessibilidade

Segundo o engenheiro civil Fernando Ribeiro, o síndico ainda deve se atentar para a questão da acessibilidade das pessoas com deficiência física e idosos. O artigo 18 do Código Civil determina que a “construção de edificações de uso privado multifamiliar e a ampliação ou reforma de edificações de uso coletivo devem atender aos preceitos da acessibilidade na interligação de todas as partes de uso comum ou abertas ao público, conforme os padrões das normas técnicas de acessibilidade da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)”. Ribeiro ressalta que “em prédios já executados e que não foram abrangidos por essas normas, há possibilidade de melhorar-se a acessibilidade, dependendo das condições construtivas, as quais devem ser analisadas por profissional competente”. Entre as opções está a construção de rampas, porém isso requer espaço. Uma solução que ocupa uma área menor é a plataforma elevatória.

Garagens mal planejadas

Entrada estreita, espaço apertado, rampas inclinadas que dificultam a visão e número insuficiente de vagas são problemas muito comuns nos edifícios. A consequência são erros estruturais e desconforto aos usuários. “Ocorrem inúmeros problemas nas garagens por ser praticamente a última etapa pensada num empreendimento”, analisa o engenheiro civil Fernando Ribeiro.

Segundo o especialista, o projeto da garagem deve oferecer um bom fluxo viário, conseguido por meio de análise estatística. “A partir desse estudo, são colocados cruzamentos em pontos estratégicos e criadas saídas alternativas para evitar congestionamentos, tendo em vista os reflexos nas vias de acesso à garagem”, ressalta. O engenheiro acrescenta ainda que as vagas devem ter 2,4 por 5 metros para o usuário abrir a porta e não bater no carro ao lado.

A professora da UFSC Lenise Grando Goldner lembra, ainda, que nos projetos e execuções não são aproveitadas as normas de engenharia de tráfego. “Não são respeitados os gabaritos para calcular as curvas que os carros têm de fazer para entrar e sair das garagens. Muitas construtoras tentam aproveitar ao máximo o espaço e acabam não dimensionando essas necessidades”, salienta.

Fonte: CondomínioSC

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