29 de janeiro de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Incêndio: Contra o fogo, prioridade máxima

Prevenção contra incêndios inclui treinamento da equipe, cuidados na contratação das empresas e vistoria frequente dos equipamentos.

Os condôminos do Edifício Saint Paul Ville, localizado na Bela Vista, região central de São Paulo, levaram um grande susto há cerca de dez anos, época em que suas duas torres de 136 apartamentos eram praticamente novas. Um incêndio em uma das unidades, provocado por uma vela esquecida acesa, destruiu o imóvel e atingiu fachadas e esquadrias de um dos prédios. “Felizmente, o zelador João Menino de Macedo estava muito bem treinado. Havíamos participado de um treinamento prático contra incêndios dias antes. Ele tomou todos os procedimentos recomendados: desligou gás e energia elétrica e evacuou os apartamentos da torre, solicitando a todos que descessem pelas escadas”, recorda o síndico Paulo Romani.

Segundo Paulo, o prejuízo teria sido grande caso o seguro não houvesse coberto os danos. “Mesmo assim perdemos muito tempo até que tudo voltasse à normalidade.” O episódio acabou contribuindo para uma grande adesão dos moradores à brigada de incêndio, item que compõe uma das principais exigências da legislação na área no Estado de São Paulo (o Decreto 56.819/2011).

O engenheiro civil Paulo Magri, pós-graduado em engenharia de segurança, acredita que a brigada seja “até mais importante do que os equipamentos”. “Porque a equipe somente saberá utilizar extintores e hidrantes se estiver treinada. O erro dos condomínios residenciais é acreditar que incêndios só acontecem em edifícios comerciais. Outra falha é treinar apenas o zelador. Muitos nem moram mais nos condomínios. E se o incêndio começar após as 18 horas, ou em um horário em que o zelador não esteja mais no prédio?”, questiona.

SUPERVISÃO NECESSÁRIA

De forma geral, ter uma noção básica da legislação é importante para o síndico saber como proceder em uma boa manutenção e treinamento. “A legislação paulista é de primeiro mundo”, diz Paulo Magri, “com Instruções Técnicas que podem ser revisadas a qualquer momento”. Elaboradas pelo Corpo de Bombeiros, as IT detalham todas as medidas de segurança contra incêndio nas edificações, explicitando regras de como se implantar determinado sistema preventivo, a exemplo de extintores, hidrantes, chuveiros automáticos, compartimentação, resistência das estruturas ao fogo etc. Trazem ainda os procedimentos de formação, treinamento e ação das brigadas, entre outros.

Mas a síndica profissional Solange Gebra Faustino Casagrande afirma que há grande dificuldade em motivar os condôminos a participar dos treinamentos. “Poucos querem se envolver. O síndico deve fazer o possível pelo menos para atingir todos os funcionários, promovendo, por exemplo, a brigada em dois dias, para alcançar toda a equipe, inclusive os que estejam de folga”, sugere a síndica, que cuida da administração de três condomínios. Solange recomenda ainda a contratação de empresa idônea para a manutenção dos equipamentos, acompanhada de cuidadosa pesquisa de preços junto a pelo menos três fornecedores. “Mesmo contratando com critérios, o síndico deve fiscalizar tudo o que a empresa irá fazer.” Os cuidados devem começar antes mesmo de enviar os equipamentos para a manutenção.

Solange orienta os funcionários a lavar as garagens com a água dos extintores e a descarregar os de CO2. “Os únicos que não descarregamos antes são os de pó químico seco, porque fazem muita sujeira”, explica.

A síndica não descuida de outros equipamentos, como portas corta-fogo, corrimãos e iluminação de emergência. “Já vi condomínios em que o síndico mandou retirar as fechaduras das portas corta-fogo porque elas faziam barulho. Outro erro comum é colocar cestos de lixo nas antecâmaras ou calço nas portas corta-fogo para ventilar os halls. São coisas absurdas, mas que infelizmente acontecem”, constata.

Para o engenheiro Paulo Magri, o ideal é que os síndicos tenham a consultoria de um engenheiro independente para acompanhar a vistoria dos equipamentos contra incêndio. “Mas se o condomínio preferir, a vistoria pode começar com um trabalho do próprio síndico acompanhado do zelador ou da brigada de incêndio. Nessa vistoria, deve ser verificado o funcionamento da bomba de incêndio, a iluminação de emergência, os corrimãos e se há extintores vazando”, explica. Paulo Magri finaliza chamando atenção para o prazo de validade dos equipamentos e a forma correta de seu manuseio, especialmente das mangueiras, que precisam ser desenroladas periodicamente.

Fonte: Direcional Condomínio

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