28 de outubro de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Em tempos de chuva, muita atenção!

A prevenção é a principal arma para passar o período das chuvas sem surpresas desagradáveis. Especialistas dão dicas e sugerem cuidados para manter o imóvel em ordem e seguro

Prevenir sempre é melhor que remediar. As primeiras chuvas dessa temporada já mostraram sua força em algumas regiões do Distrito Federal e alguns cuidados podem fazer a diferença na hora de minimizar os impactos do mau tempo. Um mapeamento realizado em 2012 pelos técnicos da Defesa Civil do DF, identificou 37 zonas de risco em 16 regiões administrativas do DF, segundo informações disponibilizadas na página do órgão. O período das chuvas é uma das principais preocupações dos especialistas.

O subsecretário de operações da Defesa Civil do DF, coronel SérgioBezerra, conta que desde o início da temporada das chuvas, 408 pessoas foram afetadas pelas fortes borrascas e a estimativa da secretaria é de que este número chegue a 3.000 até o próximo mês de março.

De acordo com o coronel, os números são decorrentes da baixa percepção de risco da população,  além da falta de civilidade que contribui diretamente para o agravamento dos problemas ocasionados pelas chuvas intensas. “As pessoas sempre acham que os acidentes não vão acontecer com elas, até que acontece. Muitas vezes, são conhecedoras dos riscos, mas preferem ser omissas na tentativa de preservar seus patrimônios. Além disso, a falta de civilidade é uma outra questão que agrava os problemas neste período. Lixo de todo tipo é atirado em qualquer lugar, entupindo as bocas-de-lobo e estorvando o sistema de drenagem de água. O resultado, são os alagamentos que vemos nos dias de chuva abundante”, explicou.

“É muito difícil conscientizar as pessoas. Em algumas áreas onde foram colocadas placas indicativas da zona de risco, as placas foram pintadas de branco, sob o argumento de desvalorização dos imóveis. É o tipo de coisa que bota vidas em perigo, não apenas de quem mora na região, mas também, de quem simplesmente pode estar no lugar errado, na hora errada. Infelizmente isso é assim”, completou o subsecretário.

Sérgio explica ainda que boa parte das habitações construídas nas áreas de risco são construídas de maneira irregular, descumprindo os padrões de fundação e sem o acompanhamento de um engenheiro. “Uma boa parcela das casas não são construídas com o acompanhamento de um profissional e nem seguem os padrões básicos de construção. Não têm estrutura para suportar a força da água, os escorregamentos de terra e nem mesmo os ventos fortes. Assim, ocorrem desabamentos, destelhamentos, caídas de muros e outros tipos de ocorrências”, concluiu.
Neste mês, a Defesa Civil lançou um folheto com o objetivo de informar a população sobre os principais riscos do ciclo chuvoso, além de recomendações uteis para enfrentar os temporais.

Construção civil 

De acordo com a engenheira civil e conselheira do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do DF (Crea-DF), Lia de Souza Sá, não são apenas os perigos inerentes à construção que causam preocupações aos responsáveis de uma obra. Na época das chuvas também há risco de incremento de custo e dilatação do prazo de entrega, se não tomadas as devidas precauções.

Lia explica que os serviços de terraplanagem e fundação que envolvem escavação e movimento de terra durante o período das chuvas podem ocasionar desliszamentos e desbarrancamento de muros de arrimo. “É importante que seja feito o escoamento da água e a cobertura do local de escavação”, explicou.

Ainda segundo Lia, na fase de concretagem a água da chuva pode carrear os insumos do concreto, evitando que seja alcançada a consistência adequada. “O concreto leva uma quantidade exata de cada elemento. É como uma receita de bolo, qualquer alteração nas quantidades altera também a consistência do material, ademais de modificar o período de cura do concreto. Estes fatores podem aumentar os gastos da obra e até mesmo comprometer a estrutura. Por isso, é muito importante que a área concretada seja coberta. Também é fundamental o correto armazenamento do material para que não haja perda de cimento e areia e para que outros elementos como as barras de aço não fiquem expostas à umidade”, destacou.

“No processo de alvenaria e acabamento exterior é preciso atenção para que os tijolos não fiquem encharcados e sem prumo. É possível que acondicionem aguá em seu interior e provoquem infiltrações. O reboco perde aderência e trabalhos de acabamento e pintura exterior não deverão ser realizados”, complementou.

Segurança dos trabalhadores

O engenheiro de segurança do trabalho, Sérgio Alves, ressalta que o cumprimento das medidas preventivas é fundamental para a saúde dos trabalhadores e também para o bom andamento da obra. “Tanto empresas como trabalhadores devem assumir responsabilidades no que se refere ao cumprimento de medidas que visam preservar a integridade física do trabalhador e o bom andamento da obra, disse ele.

Segundo o engenheiro, a empresa deverá proporcionar todos os equipamentos de segurança, assim como paralisar os trabalhos em caso de chuva e ventos fortes. “Cabe a empresa proporcionar todo o equipamento necessário para que o trabalho esteja em completa situação de segurança. Em caso de chuvas intensas com descargas elétricas e ventos fortes, o responsável pela obra deverá paralisar os trabalhos até que seja reestabelecida a segurança no local de trabalho”, frisou.

Por outro lado, Sérgio explica que o trabalhador deverá fazer o uso adequado do equipamento disponibilizado, respeitando as normativas de segurança do trabalho. “Nem todos têm a consciência de que os equipamentos de proteção individual (EPI) são exatamente para proteger a vida deles. É preciso que haja uma conscientização maior neste sentido”, alertou o engenheiro.

Imóveis já prontos

A conselheira do Crea-DF, Lia de Souza Sá, enfatiza que nos imóveis já habitados deve ser realizada uma avaliação periódica do sistema de impermeabilização afim de detectar possíveis infiltrações que possam prejudicar pinturas e acabamentos e afetar a estrutura da edificação. “Com as chuvas é muito comum problemas causados por infiltrações”, disse a conselheira.

De acordo com o subsecretario de Defesa Civil do DF, coronel Sérgio Bezerra, é importantefazer a limpeza de calhas e a fixação apropriada dos telhados. Sérgio também chama a atenção para os cuidados com as redes elétricas e árvores que possam ser derrubadas pelo temporal.

Fonte: Jornal da Comunidade

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