1 de agosto de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Eles deletam o lixo eletrônico

Os metais pesados usados em equipamentos de informática e eletrodomésticos são responsáveis por diversas doenças que afetam seres humanos e animais.

Usina de reciclagem em Campo Magro: destino adequado

No condomínio Palladio, em Curitiba, os moradores já estão acostumados com a separação do lixo doméstico. Há mais de um ano, eles adquiriram um novo hábito, o de guardar o lixo eletrônico. Sempre que o mouse pifa, o monitor não liga mais ou pilhas e baterias sobram na gaveta, o zelador Antônio de Oliveira é encarregado de depositar os materiais em uma caixa coletora na guarita. “Quando os moradores têm lixo, eles ligam ou já levam à portaria. Depois que a caixa fica cheia, nós levamos até o caminhão da prefeitura que recolhe”, afirma Oliveira.

“Distribuímos uma circular entre os moradores explicando a importância da separação deste tipo de lixo e no mesmo mês que as informações foram repassadas, nós já implantamos a coleta. A adesão foi total”, afirma o administrador do condomínio, Alder Spindler. “O custo para manter esta prática é de, no máximo, R$100 mensais. Se não tem quem leve até o caminhão, que para próximo à Rua da Cidadania do bairro, o custo é um pouco maior, mas nada absurdo que não dê para manter”, afirma o administrador.

Faz parte do lixo eletrônico, conhecido também como e-lixo, os resíduos existentes em materiais e equipamentos eletro eletrônicos que se tornam obsoletos, como computadores, celulares, tablets, televisores, eletrodomésticos, pilhas e baterias. Este tipo de lixo é responsável por aumentar o volume dos aterros sanitários ou lixões. Quando não é feita a reciclagem adequada, os metais pesados de suas composições podem comprometer a vida atual e futura de quem mora próximo aos depósitos. “O metal pesado costuma ficar guardado no organismo por muito tempo, dificultando uma série de reações metabólicas. Nas aves, por exemplo, este material pode alterar a reprodução e resistência dos animais”, explica o ornitólogo Fernando Straube.

De acordo com o engenheiro químico especialista em gestão ambiental Claudio Barretto, dentre os principais contaminantes presentes nestes materiais, encontram-se o arsênico, berílio, cádmio, chumbo e mercúrio. O primeiro pode provocar distúrbios nervosos, doenças de pele e câncer no pulmão, assim como o berílio. Os rins, principais filtros do organismo, ficam comprometidos em contato com cádmio e o chumbo. Este, ainda, pode causar danos no fígado e no cérebro. “Deve ser considerado também o cloreto de polivinila, ou PVC. É o plástico mais utilizado em eletrônica e equipamentos eletrodomésticos e, por conter alta quantia de cloro, quando queimado inadequadamente pode tornar-se altamente tóxico se inalado”, explica Barretto.

Segundo o geógrafo Tales Campos Piedade, ainda são poucas as usinas de reciclagem dos materiais e isso contribui para que o descarte tradicional seja mantido. “Os equipamentos eletrônicos velhos ainda são jogados na rua. Hoje existem organizações que tentam reaproveitar os materiais, às vezes usando peças para montarem novos computadores que depois são doados. Poucas pessoas sabem disso”, afirma.

Robótica

Entidades coletam e reutilizam materiais

Com sede em Curitiba, o Instituto Brasileiro de Ecotecnologia (Biet) nasceu com o objetivo de dar uma destinação correta ao lixo eletrônico. Após três anos, mais de 150 toneladas já foram recolhidas de casas e empresas de Curitiba e cidades próximas.

O material coletado é levado até uma empresa em Colombo, região metropolitana de Curitiba, e lá é feita a separação dos componentes. “Uma pequena parte é usada nas atividades de robótica que desenvolvemos. Outra vai para a reutilização e contribui na inclusão digital. Se nos pedem computadores que estão funcionando, entregamos, mas sempre com o compromisso que os aparelhos voltarão ao instituto. Assim sabemos que terão uma destinação adequada”, afirma o engenheiro civil e criador do Biet, Maurício Fraletti.

A maior parte dos materiais é desmontada e levada à reciclagem. Segundo Fratelli, 99% do lixo eletrônico podem ser reciclados, mas é um trabalho demorado. “Não vale a pena comercializar o material, pois o preço não paga a mão de obra”.

O engenheiro conta ainda que o número de pessoas que faz esta separação é pequeno em Curitiba. “Temos recebido de alguns condomínios e alguns síndicos mostram interesse, mas ainda são poucos”. Quem quiser ter o e-lixo recolhido pode enviar um email para falecom@biet.org.br, com endereço e telefone para agendar a coleta. O instituto pede que os interessados descrevam o material e a quantia para que saibam o volume de lixo eletrônico a ser coletado.

Fukuoka

Outra entidade que faz o recolhimento do e-lixo é a Associação Fukuoka do Sul do Paraná. Dos 55 conveniados de Curitiba, Região Metropolitana e litoral, o diretor de meio ambiente da Associação Edson Imoto relata que poucos condomínios participam deste processo. “O custo varia de R$ 85 a R$ 100. Depende da quantia de apartamentos de cada condomínio, do tamanho da empresa”.

Imoto conta ainda que cada quilograma de pilhas e baterias chega a custar R$ 2,80 para a Associação dar o destino correto. Para solicitar o recolhimento pela Associação, basta entrar em contato através do site (www.afukuoka.com.br) ou pelo email eimoto@devolva.org.

Lixo tóxico

Prefeitura disponibiliza de caminhão de coleta

Outra sugestão é o descarte do lixo eletrônico nos caminhões de coleta de lixo tóxico da Prefeitura de Curitiba. Os caminhões passam uma vez por mês por cada terminal de ônibus da cidade e recolhem peças de informática, além de pilhas, baterias, resto de tintas, toners, solventes, remédios vencidos, venenos, entre outros. Todos os materiais devem estar armazenados em um lugar seguro e as peças são levadas a uma usina de reciclagem em Campo Magro.

De acordo com o gerente do local, Alfredo Carlos Holzmann, todo mês a usina recebe uma média de 1.200 peças eletrônicas e entre 500 a 700 kg de baterias, pilhas. “Vimos um aumento destes materiais com a conscientização da população. Hoje, muitos condomínios já fazem a reciclagem destes materiais e ajudam na preservação do meio ambiente”, aponta Holzmann.

Logística reversa

Em 2010 foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos que prevê a necessidade do setor produtivo adotar o Sistema de Logística Reversa. “Este sistema disciplina o uso, o recolhimento após o uso e o reaproveitamento destes equipamentos e produtos”, explica o engenheiro químico especialista em gestão ambiental, Claudio Barretto.

A Associação Fukuoka do sul do Paraná é uma das instituições do estado a trabalhar com a ideia da logística reversa. De acordo com o diretor de meio ambiente da Associação, Edson Fadao Imoto, este processo de recolhimento do lixo eletrônico faz parte da logística, quando o produto sai das mãos do consumidor e pode ter novo destino. “Coletamos 13 tipos de resíduos. Todos os tipos de lâmpadas, pilhas, baterias de celulares, baterias veiculares, reatores de luminárias, medicamentos. Depois, estes materiais são classificados por fabricante, tamanho, modelo, e enviado para empresas recicladoras”, explica.

Fonte: Gazeta do Povo

sem comentários publicado em: Notícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>