29 de fevereiro de 2016   Publicado por: Garante Araribóia

Contêiner vira opção econômica na construção ou reforma

Sistema que usa contêineres ganha força ao garantir agilidade, sustentabilidade e economia à obra

A agilidade da obra e a estética da construção pesaram na escolha do contêiner como sistema construtivo para a ampliação que os empresários Beto Motter e Gustavo Skrobot realizaram em sua chácara. Tendência no mercado, o método tem ganhado força como alternativa aos processos tradicionais e chama a atenção de arquitetos e proprietários que desejam morar bem e ainda economizar na construção ou reforma.

Ao utilizar estruturas prontas – que antes seriam descartadas – e eliminar a necessidade de fundações, aqui substituídas por sapatas de concreto, a obra em contêiner pode ter seu custo estrutural reduzido em até 30% em comparação com a alvenaria tradicional, como explica a arquiteta Carolina Leal Ribas, da Leal Ribas Engenharia e Arquitetura.

Outra vantagem é a limpeza e escassa geração de resíduos da obra, cuja estrutura chega pronta para ser instalada no terreno, o que potencializa o viés sustentável do sistema.

Versáteis, os contêineres – que medem 6 m ou 12 m de comprimento por cerca de 2,5 m de largura – podem ser recortados e/ou emendados uns aos outros para atender as necessidades de cada projeto, em obras de um ou mais pavimentos.

A personalização das peças é realizada, geralmente, pela empresa que fornece os contêineres, que também faz o recorte de portas e janelas, seguindo o projeto. Carolina explica que os pilares localizados nos cantos do contêiner não podem ser removidos, o que faria com que ele perdesse sua sustentação.

A possibilidade de se trabalhar a volumetria do projeto é outro atrativo do sistema, cujas peças podem ser empilhadas gerando vãos para garagens e sacadas, por exemplo. “Há casos em que se pode deixar até 2/3 do corpo do contêiner em balanço (suspenso). A fixação das peças pode ser feita com solda ou com cabos, por exemplo, mas não há uma solução única, tudo depende das características de cada projeto”, acrescenta Danilo Corbas, arquiteto e sócio da Container Box.

Isolamento

Por se tratar de um material metálico, os contêineres precisam ser isolados para que possam garantir conforto térmico e acústico aos moradores. Tal isolamento varia de acordo com a necessidade do projeto e pode ser feito com lã de rocha, vidro ou pet, ou com isopor de alta densidade, como explica Corbas. “Também é recomendado que seja feito um telhado com telhas metálicas ou termoacústicas, que também funcionam como isolante”, acrescenta Carolina.

Foi o que fizeram Motter e Skrobot. Ao optarem por deixar aparentes as chapas metálicas e os demais elementos que caracterizam o contêiner – que, por isso, não recebeu nenhum revestimento, além da pintura – os empresários adicionaram ao projeto a cobertura de telhas “sanduíche”.

Para quem deseja “camuflar” o contêiner e deixar as paredes, piso e teto com um visual mais tradicional, é possível revestir a estrutura com drywall, placas de MDF, madeira ou porcelanato, por exemplo, ou trabalhar com uma composição de paredes aparentes e revestidas.

Veja como é feita a construção de uma casa contêiner

Projeto de 90 m² da Leal Ribas Engenharia e Arquitetura foi construído em 45 dias e apresentado na Casa Cor Paraná 2014.

Do transporte de carga à moradia

Os contêineres utilizados na construção civil são os mesmos empregados no transporte marítimo de cargas, o que faz do reaproveitamento deste material um dos pontos que garantem a sustentabilidade do sistema construtivo.

Perci S. Veloso Hultmann, proprietário da Total Storage Brasil – que trabalha com venda, customização e aluguel de contêineres – explica que eles saem do mercado marítimo quando atingem de oito a dez anos de uso, em média. Sua vida útil, porém, é indeterminada, o que possibilita sua utilização para outros fins, como a construção civil. “Não existe validade para o uso do contêiner, mas sim a situação em que ele se encontra”, acrescenta.

As peças, então, são selecionadas e recebem um fundo com tinta automotiva, que é aplicado sobre a pintura “original”, específica para aguentar a corrosão causada pela água salgada.

Procedência

A arquiteta Carolina Leal Ribas, da Leal Ribas Engenharia e Arquitetura, orienta que é importante checar a procedência e história do contêiner antes de adquirir a peça, para saber se ele não transportou material contaminante, por exemplo. “Também é preciso ficar atento a pontos de ferrugem, amassados e outras avarias”, sugere.

Danilo Corbas, arquiteto e sócio da Container Box, acrescenta que é preciso verificar o histórico dos profissionais e das empresas com os quais se está trabalhando, para que se possa garantir a qualidade e a satisfação com o sistema.

R$10 mil

É o custo médio de um contêiner para utilização na construção civil. Este valor refere-se somente à peça, sem contar os gastos com o corte [e pintura] das chapas, como conta Carolina Leal Ribas, da Leal Ribas Engenharia e Arquitetura.

Fonte: Gazeta do Povo

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