30 de outubro de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Construtoras devem compatibilizar projetos para evitar transtornos e desperdícios

Investir em um trabalho que leve em consideração as interferências das diversas áreas que compõem uma edificação garante sucesso na conclusão da obra.

Engenheira civil, Izabel Souki diz que é possível realizar as obras simultaneamente, reduzindo custos e tempo de trabalho

Quem nunca teve problemas de atraso em obras devido a imprevistos nos sistemas elétrico ou hidráulico? Ou precisou desmanchar parte da construção para refazê-la devido a incompatibilidades no trabalho executado pelos diversos prestadores de serviços envolvidos? Ou, ainda, comprou material em quantidade desnecessária? Para que transtornos como esses não ocorram, a solução é a compatibilização de projetos, de acordo com especialistas.

A engenheira civil Izabel Souki explica que nesse sistema as etapas do empreendimento são realizadas simultaneamente. Como consequência, o tempo de trabalho e os custos são reduzidos e as chances de obter um produto com mais qualidade são maiores. “A compatibilização consiste em analisar os projetos em conjunto, tornando-os coerentes e concordantes entre si, possibilitando a eliminação de interferências ainda na fase inicial, em que as decisões estratégicas do empreendimento são menos onerosas”, diz.

A compatibilização permite também otimizar espaços internos e de convivência, evitando desperdícios de áreas, diminuição de possibilidades de erros e desperdício de materiais e, ainda, maior viabilidade técnica para a realização da obra. “Além disso, um bom planejamento gera valor agregado ao imóvel, uma vez que permite medir objetivamente o desempenho e a evolução do projeto, confrontando o custo real e o planejado”, ressalta a engenheira.

Em linhas gerais, o arquiteto e urbanista, mestre em construção civil e professor na Universidade Fumec Jacques Alyson Lazzarotto diz que a compatibilização se trata da sobreposição dos projetos a fim de verificar interferências ou incompatibilidades entre eles. “Consiste em realizar uma interface entre os diversos tipos de projetos complementares, como o estrutural, elétrico, hidráulico, de telefonia, lógica, acessibilidade e termoacústico (climatização e acústica), com o projeto de arquitetura”, conta.

FISCALIZAÇÃO 

Segundo o arquiteto Júlio Tôrres, a compatibilização de projetos é de extrema importância em grandes empreendimentos, uma vez que uma obra mal planejada pode acarretar a reprovação da construção. “Não se preocupar com a compatibilização de projetos pode resultar em problemas com a liberação da obra. Em muitos casos, a própria fiscalização da prefeitura percebe esses problemas no projeto final, como um pilar ou uma viga em local indevido, problemas hidráulicos, entre outros, e acaba por atrasar a entrega da obra até que se consertem esses erros.”

Um dos projetos realizados de forma compatibilizada por seu escritório foi o empreendimento Grand Líder Felipe dos Santos, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. “Ao todo, foram três torres construídas em uma área de 40 mil metros quadrados, executadas com planejamento compatibilizado em todas as etapas da construção. Isso possibilitou a redução do desperdício de material e de mão de obra, resultando na diminuição do custo da obra”, diz.

Tôrres ressalta também um novo projeto comercial em Belo Horizonte, com 55 mil metros quadrados, que está sendo realizado pelo escritório de maneira compatibilizada desde o estudo de viabilidade. “Devido ao grande número de pessoas e veículos que irá circular pelo empreendimento e nos arredores, até mesmo as questões envolvendo alterações no trânsito local e detalhes de segurança nos acessos e carga e descarga de encomendas já estão sendo articuladas.”

Construções mais seguras
A compatibilização possibilita a redução de patologias na edificação, que comprometem seu funcionamento 

Moradora do Bairro Alto dos Pinheiros, Região Oeste de Belo Horizonte, há mais de 10 anos, a terapeuta Maria Aparecida Silva Magalhães sofre com infiltrações nos banheiros, sendo que em um deles a água cai sobre a parte elétrica que fica no andar inferior. “A casa é muito boa em termos de estrutura, só que fomos construindo aos poucos. Já tentamos resolver o problema várias vezes, mas não conseguimos. Se tivesse sido projetada, não estaria do jeito que está.”

“A casa é muito boa em termos de estrutura, só que fomos construindo aos poucos. Já tentamos resolver o problema várias vezes e não conseguimos” – Maria Aparecida Silva Magalhães, terapeuta

Não é raro que profissionais contratados para fazer a obra trabalhem em separado, desconsiderando as interferências que cada área podem provocar na outra. “A maior parte de problemas de obras é gerada por projetos mal compatibilizados, já que cada etapa é feita por projetistas e profissionais diferentes”, confirma a engenheira civil Izabel Souki.

Realizar esse tipo de planejamento antes do início de uma obra ou mesmo em uma reforma garante a execução de um trabalho com excelência, com definição correta de materiais e padrão de acabamento e construção. “Geralmente, a execução de uma obra envolve um grande número de especialistas que, muitas vezes, apresentam problemas que podem ser eliminados ou até minimizados por meio de uma articulação eficiente e da integração dos projetos, como elétrico, hidráulico, ar-condicionado e outros”, explica Izabel.

A engenheira ressalta que quando um projeto interfere no outro e essas informações não são cruzadas, há um ponto crítico na obra. Evitar situações assim garante a redução de custo e retrabalho. “Com a busca por empreendimentos mais racionais, o processo de produção passa pela evolução do desenvolvimento do projeto, eliminando-se falhas, aperfeiçoando a obra, otimizando recursos e aumentando sua produtividade.”

De acordo com Izabel Souki, quando a compatibilização de projetos é de boa qualidade, além de haver redução no custo final e no prazo de conclusão da obra, existe a possibilidade da minimização de patologias na obra. Quando não há essa preocupação, determinadas características do produto idealizadas antes de sua execução ficam prejudicadas. “Isso é comprovado pelo grande número de problemas patológicos dos edifícios atribuídos às falhas de projeto.”

Para o mestre em construção civil e professor na Universidade Fumec Jacques Alyson Lazzarotto, a importância do trabalho está na possibilidade de identificação e mapeamento de qualquer tipo de interferência dos diversos projetos com a arquitetura proposta. “Nessa fase, a obra ainda não deveria ter sido iniciada. Portanto, se for identificado algum tipo de interferência, como um pilar onde deveria ser um vão livre ou a passagem de uma tubulação da rede hidráulica onde está prevista uma viga, é possível a correção na fase de projeto.”

Caso a obra já esteja pronta e surja a necessidade de reforma, a compatibilização é fundamental. “O trabalho é possível em uma obra pronta, porém, nesse caso, não temos o benefício de evitar retrabalhos, já que a execução malfeita já foi concretizada”, afirma Izabel Souki.

Quando executá-lo

Ciente da importância e da necessidade de compatibilização, surge a dúvida: em qual fase esse projeto deve ser elaborado? De acordo com Jacques Lazzarotto, ainda na fase do anteprojeto. “Porque nessa etapa já se tem um produto acabado, porém não definitivo, do que será o edifício e sua construção. Depois, segue-se o projeto legal (aprovação na prefeitura), o projeto básico e o projeto executivo”, explica.

O arquiteto diz que no estudo preliminar, fase que antecede o anteprojeto, não estão reunidas as informações necessárias para se compatibilizar. “As ideias ainda estão se consolidando. Na etapa de anteprojeto já se avançou muito o projeto e qualquer alteração pode resultar em retrabalho”, explica Jacques Lazzarotto.

Ao fazer esse trabalho, o professor diz que, considerando que o projeto titular é o de arquitetura e dele derivam todos os outros, a compatibilização deve ser realizada com todos os projetos. “Isso, geralmente, é feito a cargo e responsabilidade do arquiteto e consiste em verificar item por item do projeto.”

Para que esse trabalho seja feito de forma segura, Izabel Souki reitera a necessidade de sobrepor os projetos. “De forma a identificar as interferências que cada um tem. Assim, em caso de necessidade de alguma modificação em um deles, é preciso ter certeza de que não haverá perda nos demais”, ressalta a engenheira civil.

Lembre-se:

- Na elaboração de um projeto de compatibilização, o mais indicado é sobrepor os projetos
- A imagem 3D sempre ajuda na visualização das interferências dos projetos
- Contrate um profissional competente para executar o serviço, já que o projeto deve ser analisado e revisado
- Em casos de reformas, a compatibilização é tão importante quanto o projeto de empreendimentos novos, já que também consiste em construir para obter um novo produto
- Quando uma modificação é feita em algum projeto, todos os outros devem ser revisados

Fonte: Lugar Certo

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