21 de março de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Condomínios apelam para as domésticas ‘por encomenda’

Encontrar uma emprega doméstica é tarefa cada vez mais difícil nas grandes cidades. Uma odisseia urbana que vai ganhar novos percalços com a promulgação da PEC das Domésticas no Congresso, prevista para a próxima semana. Aprovada anteontem por unanimidade, em primeiro turno, a emenda à Constituição assegura aos trabalhadores domésticos os mesmos direitos dos demais, como jornada diária de oito horas, horas extras, adicional noturno, FGTS obrigatório, salário-família, entre outros. Novos encargos que mudam a configuração dos lares e abrem caminho para serviços alternativos de limpeza da casa, mais flexíveis e menos onerosos, como a contratação de diaristas em empresas terceirizadas.

Já presente em muitos prédios do Rio, o serviço pay-per-use (pague pelo uso, numa tradução literal) oferece a possibilidade de contratar, por meio do próprio condomínio, serviços de limpeza residencial. O modelo é inspirado no praticado pela rede hoteleira, onde a limpeza é cobrada de acordo com as horas dispendidas nos quartos ocupados.

Nas residências, o esquema de cobrança varia. Pode-se contratar uma diarista por um turno de quatro horas por um preço fixo, em média R$ 40. Há também o modelo em que o valor da faxina é tabelado de acordo com o tamanho do apartamento, ficando em torno de R$ 150 para uma limpeza básica e R$ 200 para uma completa, quando se inclui as janelas. Neste caso, o cliente não precisa sequer fornecer os produtos de limpeza. Os serviços são cobrados junto ao boleto mensal do condomínio.

Moradora do condomínio Barra Marina, a economista Elizabeth Merljak, de 58 anos, adotou o pay-per-use depois que trocou o Cosme Velho pela Barra da Tijuca. A distância entre o novo bairro e Niterói, onde sua antiga diarista mora, fez com que ela precisasse buscar um novo arranjo.

— Empregada doméstica hoje em dia é um luxo. E essa é uma nova realidade que tem que ser encarada — conta Elizabeth.

Uma adaptação que encontra uma barreira na cultura brasileira da superlimpeza. A faxina do pay-per-use costuma responder a uma série de regulamentos: o turno é reduzido, as profissionais não arrastam grandes móveis e há uma cota média de louças para lavar.

O encolhimento da população dedicada aos serviços domésticos fez com que o número desses trabalhadores chegasse a 7,2 milhões (93% de mulheres), segundo a Pnad de 2011. Enquanto isso, o salário desses profissionais cresce. Segundo a Pesquisa Mensal de Emprego do IBGE, nas seis maiores regiões metropolitanas, o serviço doméstico foi o setor com maior aumento real de salário em janeiro na comparação com o mesmo período de 2012. A alta de 6% supera o resultado da indústria, de 1,5%, e do comércio, de 4%. Apenas no primeiro mês de 2013, 88 mil domésticos desapareceram do mercado em Rio de Janeiro, São Paulo, Salvador, Recife, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Há cinco meses, a Apsa, uma das principais administradoras de condomínios do mercado fluminense, começou a implementar um programa de gerenciamento de serviços pay-per-use.

— A arrumação segue um escopo preestabelecido, desde o padrão de qualidade da limpeza até a quantidade média de copos a serem limpos. Se for preciso que a diarista prepare uma refeição, há um adicional de R$ 30. Já o serviço de passar roupa é cobrado por hora, R$ 10 cada — explica João Ferraz, da Apsa.

Outra administradora que tenta abocanhar uma fatia desse mercado é a Protel. A empresa começou a oferecer esses serviços quando administrou a Vila Pan-Americana, implantando depois o modelo em condomínios residenciais.

— O serviço de limpeza não onera a cota condominial porque só paga quem usa. E não há vínculo empregatício das diaristas com o condomínio — diz Cristiane Salles, da Protel.

Há 15 anos morando fora do Brasil, a engenheira química Rita Schlicht, de 41 anos, teve dificuldade de se adaptar ao modelo tradicional de doméstica fixa. Moradora do Condomínio Península, na Barra, ela contrata semanalmente a diarista Márcia Rodrigues, de 41 anos, para três turnos de quatro horas. Foi a saída de uma casa de família que levou Márcia para o mercado das terceirizadas. A remuneração é baixa, mas o horário flexível e uma rotina sujeita a regulamentos parece compensar.

— Tem dia que ninguém pede o serviço e a gente descansa. No condomínio, só cuidamos da arrumação. Se fizer outras coisas é extra — diz.

Para o vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Secovi-SP (Sindicato da Habitação), Hubert Gebara, o aumento dos custos das domésticas tende a incentivar o pay-per-use:

— A tendência é acontecer o que acontece nos países mais desenvolvidos, ter uma pessoa que limpa o apartamento de vários moradores. (Colaborou Paulo Justus)

Fonte: Extra
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