2 de julho de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Condomínios, a Nova Realidade

Condomínios crescem em ritmo mais acelerado do que as cidades onde estão instalados. Onde estiverem são, portanto, um grande investimento. Esse julgamento tem uma base sólida: o m² tem hoje um valor bastante compatível com a pressão demográfica sobre as áreas urbanas. Não precisamos tomar a China como exemplo único. Em qualquer processo de crescimento urbano acelerado, o mercado imobiliário local apresenta valorização de preços e segmentação de ofertas. Diante desse cenário, os condomínios precisam buscar a reinvenção.

A segmentação, por exemplo, é resultado da diversificação da demanda: o imóvel de condomínio agora tem públicos diversos que procuram produtos específicos, alguns inexistentes até o momento.

A imagem da família tradicional – jovens casais com filhos pequenos – ainda é lugar-comum nos anúncios publicitários de lançamentos, mas o cenário real está mudando, com o aumento da quantidade de pessoas que moram sozinhas e das uniões entre casais do mesmo sexo.

Além disso, logo teremos imóveis completamente adaptados a portadores de necessidades especiais, àqueles que desejam animais de estimação bem acomodados ou a outras demandas específicas. Seja qual for o público, a pressão sobre o valor do m² é dramática em um mundo abarrotado de potenciais consumidores.

As cidades onde os condomínios proliferam também mudaram. Para se protegerem contra a violência das ruas, moradores permanecem cada vez mais tempo intramuros. Com isso, não está exagerando quem considera o condomínio moderno uma escola de cidadania.

A segmentação das ofertas reúne em um mesmo condomínio diversos perfis de moradores, o que os induz a um grande aprendizado sobre convivência pacífica e respeitosa. Em virtude desse processo de adaptação, há cada vez menos espaço para o condômino antissocial, acostumado à liberdade que se permitia na moradia autônoma.

Ao morar em comunidade, precisará seguir novas regras, como descartar apropriadamente o lixo, respeitar a demarcação de vagas de garagem, dirigir na velocidade permitida no local, buscar uma altura adequada para o som do aparelho de música e cuidar para que animais de estimação não incomodem os vizinhos, entre outras atitudes. Quando o adensamento urbano impedir que essa escola de cidadania cresça para os lados, ela crescerá para cima.

As administradoras imobiliárias são peça fundamental nesse processo. Embora quantidade não signifique expertise, elas estão se multiplicando. Mas, para se diferenciarem no mercado e se tornarem empresas realmente bem-sucedidas, elas terão de se aprimorar, customizar a prestação de serviços, antecipar necessidades.

O mercado imobiliário e o segmento de condomínios, em particular, são uma indústria “recente”. Mesmo no Estado de São Paulo, que abriga cerca de 50 mil comunidades do tipo, ainda não sabemos qual o rumo desse mercado.

O acelerado crescimento urbano apresenta muitos desafios para a gestão dos condomínios. Esse processo de evolução das cidades é uma força natural que extrapola cálculos e previsões. Assim, como não foi naturalmente previsível o boom imobiliário dos últimos anos, causado pela força viva do crescimento, ninguém será capaz de prever os próximos surtos de expansão.

Estamos falando de um mundo com sete bilhões de humanos. Esse fato remete nossos pensamentos à China, onde cidades crescem a uma velocidade nunca vista antes na história. Mas a China também é aqui. Na cidade de São Paulo, a residência autônoma tradicional (casas térreas e sobrados) poderá desaparecer quase que por completo do cenário nas próximas décadas. Seremos uma metrópole de condomínios? Tudo indica que sim. Para empreendedores de todos os setores, uma cidade de condomínios pode ser um novo Eldorado.

* Hubert Gebara é vice-presidente de Administração Imobiliária e Condomínios do Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis de São Paulo (Secovi-SP) e presidente eleito da Fiabci Brasil. Diretor do Grupo Hubert.

Fonte: Folha do Condomínio

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