30 de setembro de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Condomínio administrado como empresa

Especialista dá dicas e ideias para que síndicos consigam reduzir valores das cotas no final do mês

“O condomínio é uma empresa e precisa ser administrada como tal, por pessoas capacitadas, para não gerar gastos desnecessários”. A afirmação é do especialista em mercado de trabalho de condomínios e presidente nacional da Confederação Nacional dos Síndicos (Conasi), Sérgio Craveiro, que dá diversos cursos na área, incluindo palestras para síndicos que querem aprender como reduzir valores ou mesmo aplicar melhorias nos residenciais sem precisar aumentar a conta dos condôminos no final do mês. Se não for bem administrado, segundo ele, o condomínio gera prejuízos e despesas desnecessárias, o que aumenta a insatisfação dos moradores e até a inadimplência nos pagamentos.

Diferentemente dos anos 70 e 80, quando os prédios no geral só possuíam garagem e portaria, hoje as diferentes áreas de lazer dos residenciais, amplas e com muitas opções, exigem a administração digna de uma grande empresa, segundo ele. “Têm condomínios hoje que possuem receita anual de um, dois, e até três milhões de reais. É uma empresa, que não tem fins lucrativos, mas que se não for administrada de forma correta pode quebrar. Diagnosticar os problemas antes de eles acontecerem evita gastos desnecessários”, ensina.

Sérgio, que é síndico há quase 20 anos, sugere algumas ações que a administração do condomínio pode fazer para reduzir a conta no final do mês. O mais importante, segundo ele, é tentar reduzir a inadimplência dos condôminos. “Como a multa é baixa, as pessoas acabam priorizando outras contas. Por isso, contratar uma empresa garantidora, para cobrar esses inadimplentes, pode ajudar a aumentar a receita. Aprovar em assembleia o aumento da multa para quem não paga a cota do condomínio também é importante, senão os bons pagadores acabam arcando com juros por conta dos maus pagadores”.

Além de diminuir os inadimplentes, outras ações podem ser feitas durante o mês. “O síndico deve ter uma planilha de marcação diária do consumo de água. Porque se em um dia comum foi gasto 50% a mais de água, por exemplo, você já pode chamar um encanador para saber de onde está vindo esse escape e evitar gastos maiores.” Manutenção do relógio de luz também deve ser feita a cada três meses, ele explica. Já contratos com empresa de manutenção de elevadores, câmeras de segurança, manutenção de bombas, todos podem ser renegociados. Por fim, contratação de funcionários deve ser feita de forma eficiente, para evitar horas extras. “Regimes de 12 por 36 horas podem ser uma boa opção, porque não têm hora extra”.

Se esses cuidados forem tomados, a redução no final do mês para o condômino pode ser de 15% a 25%, garante.

De dona de casa a administradora de condomínios

Há 3 anos Rossana Ponce investe na recuperação do Residencial Ouro Verde: dívidas renegociadas e moradores satisfeitos

A síndica do Residencial Ouro Verde, Rossana Granado Ponce, assumiu o condomínio de 19 prédios há três anos em uma situação lamentável. A dívida com o INSS passava de R$ 350 mil, e com a Sanepar chegava perto de R$ 300 mil. A situação com a empresa de água era tão precária que o abastecimento tinha sido interrompido e a caixa d’água era abastecida com caminhão pipa. “A situação beirava a insolvência”, lembra ela. A insatisfação dos condôminos com o residencial era tão grande que fazia com que a taxa de inadimplência chegasse a 35%.”Quando assumi resolvi fazer a recuperação da estrutura física e moral do condomínio”, conta. A primeira ação foi negociar com a Sanepar a volta do abastecimento de água. “Eles iam cortar no outro dia também o esgoto. Conseguimos parcelar a dívida em 60 meses e retomar o abastecimento imediatamente. Estamos cumprindo o acordo e já pagamos 34 parcelas”, comemora. Após retornar a água, Rossana começou a fazer festas e promoções no condomínio para começar melhorias. “Pintamos as 19 torres e conseguimos instalar uma academia ao ar livre aqui, que custou R$ 22 mil, somente com o dinheiro dessas promoções. Com as melhorias a satisfação foi aumentando e a inadimplência hoje não chega a 15%”.

O próximo passo é conseguir reduzir a conta final da cota de condomínio dos 304 apartamentos. Hoje os moradores das unidades de dois quartos pagam R$ 196 mensais, e os de três quartos pagam R$ 246. “Não conseguimos ainda reduzir esses valores, mas pelo menos todas as melhorias foram pagas com essas promoções e não geraram mais custos”, explica.

As melhorias foram tantas que Rossana, até então dona de casa e síndica de seu prédio, foi convidada para ser síndica profissional de um outro residencial. O sucesso foi tanto que há cinco meses acabou abrindo uma administradora de condomínios

Fonte: Folha de Londrina

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