13 de agosto de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Coleta da chuva reduz em 50% conta de água

Sistema de coleta pluvial em edifícios permite reuso da água em descargas sanitárias, limpeza de calçadas e rega de jardins.

Catarina Lucas dos Santos, zeladora do edificio Gaugin, usando água da chuva para limpar as áreas comuns do condomínio

O programa de conservação e uso racional da água nas edificações foi criado em 2003 pela lei municipal 10.785. Desde então, todos os prédios construídos em Curitiba devem ser dotados de instrumentos que permitam a coleta da água da chuva. Além do benefício ambiental, já que a água coletada não sobrecarrega as bocas de lobo nas ruas, os moradores também sentem no bolso uma redução de até 50% no valor mensal da conta de água.

O condomínio do engenheiro João Codagnoni é mais antigo e não possuía este sistema de coleta e uso da água da chuva. Depois que duas caixas d’água de mil litros foram implantadas sobre a churrasqueira do prédio, a conta de água do prédio foi reduzida em R$ 200 por mês. “Foi um processo bem simples, o encanador puxou o cano da calha do telhado e o custo diminuiu. A água é usada principalmente para a lavagem do prédio e como chove bastante em Curitiba, normalmente as caixas estão cheias”, relata.

De acordo com informações da Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar), para calcular a economia de um prédio com a captação deve-se levar em conta variáveis como o tamanho do edifício, a área de captação, a área para armazenamento, quantos moradores utilizariam a água, quais os fins principais e o tempo de estiagem. Conhecendo o índice pluviométrico do local, é possível determinar a viabilidade do projeto.

Segundo a engenheira civil mestre em recursos hídricos Josete de Fátima de Sá, um condomínio que utilize a chuva, incluindo o uso nos vasos sanitários, teria uma economia de 50% na conta. Sem a descarga, a economia poderia chegar a até 30%.

“Depende muito do uso, um cliente com uma transportadora conseguiu reduzir em 70% os custos. Outra cliente implantou o sistema nos vasos sanitários, na irrigação do jardim e na conta paga somente a taxa mínima da Sanepar. Todo o processo não potável é feito com a água da chuva”, explica a designer de interiores Joana Schimitt, que trabalha há oito anos com este sistema.

Na descarga

A engenheira civil Josete de Fátima de Sá explica que, mesmo com a filtração da água da chuva e canalização em tubulação adequada, a água que chega aos vasos sanitários pode trazer alguma matéria orgânica. “Quando as pessoas veem isso incrustado no vaso, apertam com mais frequência a descarga para tentar limpar e não acabam economizando”, explica. Segundo ela, a Sanepar desestimula o uso desta água nos banheiros, pois a água eventualmente entra em contato com a pessoa, e, por não passar por uma desinfecção, pode causar problemas.

Uso racional

Veja como identificar se o seu prédio tem sistema de coleta

Quando há captação da água da chuva e ela é utilizada nos vasos sanitários, há dois registros nos banheiros, um para a tubulação da água captada e o outro para a água encanada. Para verificar se de fato o edifício está apto para utilizar a chuva, confira as diferentes plumagens (sistemas de encamamento). Peça também para ver as cisternas e o sistema de captação. É possível ainda procurar pelas bombas e pelos filtros. Se mesmo assim restar dúvidas, peça a um engenheiro de confiança para verificar o sistema e conferir o uso da água da chuva no edifício.

Custos

Edifícios antigos podem ser adaptados

Prédios e condomínios construídos antes da lei municipal e que não possuem sistema de captação da água da chuva podem ser adaptados para receber esses equipamentos. Nestes casos, porém, o tempo para que o sistema “se pague” tende a ser maior um função dos custos.

De acordo com a designer de interiores Joana Schimitt, muitos clientes buscam implantar a coleta da água da chuva para ser utilizada nos banheiros, mas o prédio não possui um sistema de encanamentos adequado para isso. “Compensaria mudar se já estivesse prevista uma obra em toda a tubulação do prédio. Se a reforma contemplasse os banheiros, compensaria fazer a descida da plumada para os vasos e outra para a água potável usada nos chuveiros e lavatórios”, explica.

O engenheiro civil Nelson Borges da Cruz estima que, para implantar a captação da chuva em uma casa de 150 metros quadrados, habitada por quatro pessoas, o custo giraria em torno de R$ 6 a 7 mil. Segundo ele, este valor seria pago em até três anos com a redução nos custos.

Filtros e equipamentos

Os equipamentos mais utilizados para a captação da chuva incluem filtros que atendem de 50 a 200 metros quadrados de coleta. O preço do kit varia entre R$ 260 e R$ 1,5 mil, respectivamente.

Fonte: Gazeta do Povo

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