1 de agosto de 2012   Publicado por: Garante Araribóia

Cerca irregular aumenta risco de acidentes

Muitos moradores descumprem a legislação, que prevê altura mínima; vítimas podem sofrer queimaduras e até parada cardíaca.

O temor de ser furtado ou assaltado faz com que muitos moradores recorram às cercas elétricas para proteger as casas. No entanto, como a reportagem da FOLHA apurou, muitos não seguem a legislação municipal, com relação à altura mínima, que deve se de 2,2 metros ou 2,5 metros, o que pode causar acidentes.

A reportagem circulou pelo Jardim Shangri-lá, na Zona Oeste de Londrina, que durante a década de 50 era conhecido como um dos loteamentos mais modernos da cidade pelo seu desenho sem cruzamentos. O bairro aparenta ser tranqüilo, com poucos carros nas ruas, mas o grande número de casas com cercas elétricas denuncia o medo dos moradores. Lá foram verificados que pelo menos 30 residências estão com instalações fora do padrão.

A reportagem mediu a altura das cercas em relação ao solo no Shangri-lá e encontrou algumas a 1,8 metro, 1,9 metro ou 2 metros do solo. Em todos esses casos os moradores acreditavam que os equipamentos estavam dentro do padrão. Eles alegaram que as empresas instaladoras não mencionaram a exigência da altura mínima.

Um morador, que não quis se identificar, contou que já aconteceram vários assaltos no bairro, o que motivou a instalação das cercas. Segundo ele, mesmo aqueles que não tiveram suas casas invadidas optaram pelo sistema de segurança, temendo que os ladrões escolhessem as casas sem a barreira. O palestrante da área de saúde e artista plástico, Yoshiharu Ueda, relatou que também já teve sua casa invadida. ”Eu estava fora de casa. Eles só não levaram mais coisas porque o meu vizinho desconfiou e os ladrões fugiram”, informou.

Outra moradora do bairro, Hideko Goto, conta que durante um assalto foi agredida e teve quatro costelas quebradas. Por isso, decidiu pela instalação. Aqui está ficando muito perigoso. Antes não era assim, relembrou. Ela revelou que desde o assalto está colocando cadeado em tudo e mesmo assim não se sente segura.

Tanto Ueda como Hideko instalaram a cerca há um ano e nunca mais tiveram problemas com invasões. Ueda observou, porém, que já foi abordado por um assaltante em frente à sua casa. Ele acabou fugindo sem levar nada, mas desde então o morador toma mais precauções ao chegar e sair de sua residência.

Já o corretor de seguros Alcides Constantino possui experiência em lidar com sinistros, por isso consultou a legislação antes de instalar a cerca. ”Eu já tinha uma noção do que era permitido ou não e resolvi ampliar em 60 centímetros o meu portão e a minha cerca para que elas ficassem com a altura padrão”, explicou.

Constantino disse que, além de obedecer a legislação, a adaptação foi feita para evitar que crianças se acidentem com a cerca eletrificada. ”Eu vejo muitas cercas eletrificadas que não seguem o que a legislação determina e isso é perigoso. Acho correto o município possuir uma legislação específica sobre o assunto, senão vira bagunça.”

Ele explicou que a legislação serve até para que, em caso de acidentes, a vítima possa acionar judicialmente o responsável. ”Além da questão da altura eu vejo pessoas ligando a cerca elétrica diretamente na tomada, sem uma central; é um perigo”, alertou.

Segundo a lei nº 9704/05, as cercas energizadas devem ter uma altura mínima de 2,5 metros do solo quando instaladas na vertical na parte superior de muros, grades, telas ou outras estruturas similares. A altura mínima deve ser 2,2 metros do primeiro fio em relação ao solo se instalada inclinada em 45 graus.

 

Fonte: Folha de Londrina

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