19 de agosto de 2014   Publicado por: Garante Araribóia

Casa-Grande & Senzala

Convivência nas áreas comuns entre moradores e funcionários deve ser livre de preconceitos.

por Marcio Rachkorsky

Minha coluna de hoje versaria sobre transparência nas contas do condomínio. Mudei de ideia e resolvi escrever sobre o preconceito que ainda impera no nosso país – disfarçado, covarde, vergonhoso.

Enquanto escrevia sobre as contas, meu celular não parava de tocar. Atendi, pois parecia urgente. Era uma mulher nervosa, perguntando seu eu era o síndico do prédio dela.

– Sim, sou o síndico profissional.

– O senhor sabe que o aniversário do filho do zelador será no salão de festas do prédio?

– Sim, eu sei e autorizei.

– Que eu saiba, nosso regulamento proíbe que funcionários utilizem as áreas comuns!

– Poxa, mas ele trabalha no prédio há mais de dez anos e mora nele com sua família. É a sua casa.

– É um absurdo, ele é nosso empregado, não um condômino. Quero que o assunto seja levado para discussão na próxima assembleia.

– Sim, senhora, discutiremos o assunto e solicito a sua presença.

– Aproveitando, quero falar sobre o absurdo que vem ocorrendo na academia: algumas domésticas fazem as aulas e usam os aparelhos.

– Compreendo a sua indignação, mas as domésticas em questão moram no trabalho. Elas podem, assim, utilizar as áreas comuns. É o mesmo critério que utilizamos para um parente que vem morar temporariamente em sua casa.

Ao final da longa e enfadonha conversa, a ilustre senhora pediu sigilo e discrição. Segundo ela, “esse pessoal é meio vingativo”.

A discussão seguiu pelos corredores, avançou para as redes sociais e logo percebi que muitos vizinhos concordam com a tal senhora.

Uma vizinha falou sobre “o absurdo que aconteceu no sábado, quando a babá entrou na piscina com o bebê, ainda por cima em trajes de banho”. Outro morador comentou “o porteiro participa do futebol que acontece toda quinta de noite”.

Condomínios possuem regras internas. Isso não se discute. Há, contudo, preceitos constitucionais vedando qualquer forma de discriminação por cor, credo e condição social.

Já vencemos o famigerado “elevador de serviço”. Agora vamos caminhar para uma relação mais harmoniosa e equilibrada com os “serviçais” nas áreas comuns.

Fonte: SindicoNet

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