10 de junho de 2013   Publicado por: Garante Araribóia

Cadê o quarto que estava aqui?

Dependência de empregada está sumindo dos projetos. Quem tem esse espaço cria outros usos para o “quartinho”.

Ivonaldo Alexandre/ Gazeta do Povo / Quarto de empregada virou escritório no aparta-mento da empresária Mina Caliri

Quarto de empregada virou escritório no aparta-mento da empresária Mina Caliri

Nunca foi um espaço grande, mas existia: até a década de 90, ao construir prédios de apartamentos para famílias, as incorporadoras incluíam a dependência de empregada rotineiramente nos projetos. Em pouco mais de dez anos, tudo mudou. O quarto e o banheiro para uso da doméstica que costumava dormir no local do trabalho estão desaparecendo junto com a própria categoria de emprego.

A dependência de empregada está restrita a empreendimentos de luxo ou alto padrão – são apartamentos com preços acima de R$ 900 mil e mais de 170 metros quadrados privados.

Valorização

Além das mudanças no mercado de trabalho brasileiro, reconhecidas pela recente PEC das Domésticas, outra razão fez o “quartinho” sair de cena: o preço. Com valores médios entre R$ 4 mil a R$ 6 mil pelo metro quadrado privado de apartamentos novos em Curitiba, qualquer espaço a mais pesa no bolso do comprador.

Não à toa, a metragem média dos apartamentos vêm diminuindo na última década. O mercado de Curitiba, atualmente, tem oferta maior de unidades com dois dormitórios do que o tradicional formato com três quartos.

Escritório

Quem mora em apartamentos mais antigos aproveita o espaço da melhor forma possível. Moradora de um prédio na Rua Gonçalves Dias, no Batel, há dez anos, Mirna Caliri conta que o local destinado à empregada nunca foi usado para esse fim.

“Transformei o quartinho em escritório desde que comprei o apartamento”, diz a empresária. “Eu e meus filhos usamos bastante, é um espaço bom e agradável”.

Mirna personifica a mudança de hábitos das famílias brasileiras. Ela já teve empregada doméstica, mas hoje contrata somente uma faxineira. “No meu prédio todo mundo reformou a dependência de empregada. As coisas mudam mesmo, agora já tem até apartamento sem área de serviço, como em outros países.”

Para poucos

Diretor geral da Brasil Bro­­kers Galvão, Gerson Carlos da Silva acompanhou a mudança. Atuando no mercado imobiliário há quase trinta anos, o corretor confirma: só famílias abastadas mantém empregada doméstica e fazem questão de ter um ambiente para elas no imóvel.

“A classe média brasileira mudou de perfil e hábitos, por isso o mercado imobiliário está estratificado. Há nichos específicos de imóveis e projetos para determinadas faixas de renda”, explica. De acordo com ele, cerca de 20% dos lançamentos em Curitiba são empreendimentos de luxo e alto padrão.

Banheiro

O percentual de trabalhadoras que dormem no emprego se reduz, mas há famílias que não abrem mão do espaço destinado a elas no apartamento. “As pessoas mantém o hábito de oferecer um local privado para a doméstica deixar suas coisas e trocar de roupa”, aponta Gerson Carlos. Por isso, em imóveis de alto padrão sem dependência de empregada, o banheiro de serviço é item indispensável nos projetos.

Opção

Ambiente se transforma de acordo com desejo dos moradores

Acompanhando a mudança de hábitos dos brasileiros, a estratégia da construtora Plaenge foi colocar um cômodo multiuso em alguns empreendimentos. O comprador pode escolher, na planta, se deseja transformar o espaço em adega, home office, dormitório para empregada doméstica ou usar para outra finalidade. As plantas dos apartamentos com mais de 150 metros quadrados privativos nos edifícios Privilege e Majestic, no Ecoville, em Curitiba, dão essa possibilidade. De acordo com Luiz Gustavo Salvático, gerente regional da Plaenge, a maioria dos clientes tem optado por fazer adega ou escritório.

A planta flexível dá a opção de abrir o ambiente para a parte social do apartamento – caso da adega ou home office – ou uni-la à área de serviço. Nesse caso, diz Salvático, a escolha por dependência de empregada não tem sido majoritária. “Muitos compradores preferem ampliar o ambiente de serviço e criar uma despensa”, observa. “O fato é que, independente da escolha, as famílias prezam pela funcionalidade e bom uso dos ambientes, valorizando cada espaço do imóvel”, diz o executivo da Plaenge.

Entre os empreendimentos da Swell Construções e Incorporações na cidade, há duas unidades no Prime Class Residence, empreendimento em construção no Água Verde, com dependência de empregada. São coberturas duplex com área privativa média de 240 metros quadrados, mais terraço de 105 metros quadrados. A área reservada à empregada doméstica tem cerca de 8 metros quadrados, incluindo dormitório e banheiro. De acordo com o diretor de empreendimentos da Swell, Leonardo Pissetti, a proposta do Prime Class é atender famílias, por isso há áreas de lazer para diferentes faixas etárias, além de espaço grill, espaço gourmet e salão de festas. Com acabamento em alto padrão, os apartamentos serão entregues com vários detalhes prontos.

Fonte: Gazeta do Povo

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