1 de janeiro de 2015   Publicado por: Garante Araribóia

A rotina de um condomínio em implantação

Tal qual um bebê precisa do apoio da mãe para dar seus primeiros passos, os condomínios em implantação dependem de um cuidado redobrado – e uma atuação integrada – de síndicos, gestores prediais e administradoras. Ao mesmo tempo em que a ocupação dos edifícios cresce, a organização dos processos internos não pode ser negligenciada nessa fase inicial, marcada por muita agitação.

Em um condomínio com cinco meses na zona oeste de São Paulo, 60 prestadores de serviço, entre os quais se destacam pedreiros, marceneiros, serralheiros, carregadores de mudança e pintores, foram recebidos na última quinta-feira para atender parte das 196 unidades.

Das 8h às 17h, as marteladas e os ruídos de serras em contato com madeira e cerâmica tornaram-se rotina para os moradores dos apartamentos já ocupados. Junto com o barulho, surgem pela área comum as marcas de sujeira das obras nos imóveis, transformados ao gosto dos proprietários. E, atrás da sujeira nos halls, há um faxineiro de hora em hora para deixar tudo em ordem novamente.

As reformas nos apartamentos e os papelões descartados após as mudanças transformaram o condomínio em um grande gerador de entulho. Todos os dias, o lixo seco, reciclável, se acumula em um canto na garagem subterrânea, antes de ser deslocado para um compartimento onde o serviço de recolhimento público possa retirá-lo nas últimas horas do dia.

Nos elevadores, condôminos se deparam com operários em circulação, mobílias em trânsito e corretores acompanhados de visitantes interessados em alugar as unidades, já que perto da metade dos apartamentos pertence a investidores. Duas das cinco máquinas estão protegidas por acolchoados que não impedem pequenas manchas de poeira nos painéis e no chão, dando um aspecto de leve descuido aos equipamentos.

No estacionamento, os usuários ainda podem parar o carro onde bem entendem porque não houve sorteio das vagas em razão da baixa ocupação do residencial. A cada dia, mais veículos avizinham-se na garagem, conduzidos por prestadores de serviço na área de carga e descarga, proprietários em visitação às suas unidades em reformas ou moradores das cerca de 40 unidades já ocupadas. Lá também passa os dias, solitário, um rapaz responsável pelo controle de entrada no condomínio.

Na portaria, o ritmo é frenético, tanto pelo toque incessante do interfone anunciando a entrada de trabalhadores contratados pelos condôminos – e que precisam se identificar antes de receber autorização para acessar as unidades – quanto de moradores cheios de dúvidas ou em busca das chaves dos espaços comuns, trancados em razão da grande movimentação interna. Eventualmente, o zelador, responsável por tocar a operação do empreendimento, ainda passa por lá, embora seja mais fácil encontrá-lo em trânsito pelo edifício, em meio a vistorias ao trabalho de funcionários e a atuação dos visitantes.

Completam o cenário representantes e operários da construtora do prédio, sempre acionados para fazer algum ajuste nos apartamentos ou nas áreas de circulação durante o período de garantia do edifício (veja o texto acima). Na quinta-feira, havia pelo menos três desafios para eles: uma adaptação no respiro da garagem, antes fonte de vazamentos, uma obra para a instalação da infraestrutura telefônica na sala de administração e uma ainda inexplicável infiltração em uma unidade do oitavo andar do edifício.

Não bastasse toda essa movimentação no dia a dia, o agito no residencial se estende às redes sociais. Os moradores criaram um grupo fechado no Facebook para trocar experiências e realizar reclamações do que consideram inadequado no produto que adquiriram – como uma insuficiência no sistema elétrico para a instalação de aparelhos de ar-condicionado.

Esse é o espaço em que os condôminos mantêm contato mais proximamente com o síndico, um morador que acumula a gestão do empreendimento com a sua atuação profissional em um escritório de advocacia. As dúvidas enviadas ao gestor são de todo tipo: dos procedimentos de individualização de água e gás à falta de aquecimento em uma das piscinas.

Fonte: Estadão

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